O regresso das turmas mistas

As turmas mistas – as que, no primeiro ciclo, juntam alunos de mais do que um ano de escolaridade – já foram consideradas em vias de extinção. A política de construção de centros escolares, a par do encerramento das escolas pequenas da maior parte das aldeias, favoreceu a concentração dos alunos, permitindo constituir turmas onde todos os alunos estão no mesmo ano de escolaridade.

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Além de constituírem muitas vezes uma sobrecarga de trabalho para os professores, as turmas mistas costumam ser associadas ao insucesso escolar, pelo que o seu desaparecimento gradual tem sido consensual nos últimos anos. Contudo, o “Inverno demográfico” que assolou o nosso país com a entrada da troika e os anos de austeridade está agora a fazer sentir os seus efeitos nos primeiros anos de escolaridade: o número de alunos diminui de ano para ano e cada vez mais escolas se vêem confrontadas com um sério dilema: ou regressam às turmas mistas ou deixarão de ter alunos suficientes para continuar em funcionamento.

A reportagem do DN dá a volta ao país e encontra, mesmo às portas das grandes cidades, uma realidade que até aqui era comum sobretudo no interior desertificado e envelhecido. Vale a pena ler…

De um lado da sala, as crianças praticam a escrita da letra T acabado de aprender, pouco depois de terem ficado a conhecer uns sinais matemáticos em forma de cruz e de travessão. As somas e subtrações virão apenas mais tarde. Do outro lado, os colegas tentam resolver uma já complexa conta de dividir escrita na ardósia. Pode parecer estranho, mas estamos a falar de alunos da mesma turma e nem sequer de uma escola do interior do país: estamos na Moita, a 40 quilómetros de Lisboa. As chamadas turmas mistas, que juntam alunos de vários anos na mesma sala, começaram por ser notícia por serem um fenómeno relativamente raro, mas hoje passaram a ser a norma em muitas escolas do 1.º ciclo para fintar a quebra da natalidade.

Todas as escolas do interior contactadas pelo DN reconhecem que têm de recorrer a esta solução, que também já é usada junto a grandes cidades e que o antigo presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE) David Justino classificou de “chaga social” e um dos maiores problemas para o sucesso escolar. E mesmo as que ainda não têm turmas multinível sentem já os efeitos do inverno demográfico, em especial com a chegada neste ano das crianças nascidas em 2012, quando pela primeira vez, desde que há registos, o país desceu abaixo dos 90 mil nascimentos (89 841, uma queda abrupta de sete mil nascimentos em relação ao ano anterior, que marcou a chegada da troika).

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