Da satisfação dos sindicatos ao jogo dúbio do PSD

antonio costa rui rioAo obrigar o Governo a retomar uma negociação há muito dada como terminada, a decisão do Parlamento só pode ser lida com satisfação por parte dos sindicatos. Mas daí a considerar-se uma vitória dos professores o que ontem se passou no Parlamento, vai uma considerável distância. Pelo que há que ler com cautela as reacções iniciais…

Mário Nogueira já se manifestou satisfeito com a votação desta tarde na especialidade na Assembleia da República que levou à aprovação das alterações propostas pelo PSD, CDS e PCP ao orçamento para 2019 em relação ao tempo de serviço dos professores.

O dirigente sindical afirmou esta noite à SIC Notícias que se trata de “uma decisão importante que vem reconhecer o que a Fenprof e os sindicatos têm afirmado: que não houve negociação em 2018”.

Sublinhando: “Aquilo a que o Orçamento do Estado 2018 obrigava era que o Governo tivesse negociado o prazo e o modo de recuperar o tempo de serviço, nove anos, quatro meses e dois dias. E a negociação não ocorreu”. E os “partidos, com exceção do PS, reconheceram que a negociação não teve lugar e tem de ter”.

Mário Nogueira referiu ainda que “ao reinscreverem no OE2019 a norma de 2018 vêm dizer que isto tem de ser negociado e não foi. O Governo não só não negociou o que tinha de negociar, como impôs um corte de seis anos e meio no tempo de serviço, o que significa que em janeiro as negociações vão recomeçar do zero.

Voltar ao ponto de partida das negociações, sem qualquer cláusula que salvaguarde um ponto de partida negocial ou defina as consequências de um não acordo, permitirá ao Governo seguir, em 2019, a mesma estratégia que usou este ano: empatar o processo negocial, evitando que as consequências de um eventual acordo tenham impacto orçamental em 2019. E deixando o ónus da recuperação de tempo de serviço para o próximo governo, enquanto nos atirarão com um qualquer rebuçado em período pré-eleitoral.

Sublinhe-se que isto só sucederá desta forma por vontade do PSD e do CDS. A proposta do PCP, rejeitada pelos partidos de direita, apontava para uma recuperação do tempo total em sete anos, em moldes semelhantes aos que estão a ser seguidos na Madeira, e exigia que começasse a ter impacto já em 2019. O Bloco ia ainda mais longe e a sua ideia, também rejeitada, era que, em caso de não haver acordo entre Governo e sindicatos, a recuperação se faria em cinco anos, sendo recuperado 20% do tempo em cada um.

Claro que o PSD não quer perder os professores – precisa de todos os votos que puder arranjar para evitar o previsível descalabro eleitoral do próximo ano – mas também não quer que o Governo perca o braço de ferro que decidiu travar com os professores. Repondo em vigor uma norma do Orçamento de 2018 que se revelou inútil, o que o PSD diz ao Governo, enquanto tenta seduzir os professores, é: entretenham-nos!…

Talvez, a uns e a outros, as contas lhes saiam trocadas…

Anúncios

One thought on “Da satisfação dos sindicatos ao jogo dúbio do PSD

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.