Milhares de alunos sem professor

classroom without student

A notícia do Correio da Manhã – disponível apenas para assinantes, mas transcrita no ComRegras – dá conta de uma realidade que não é nova, que se está a tornar cada vez mais frequente e que, aparentemente, veio para ficar: a falta de professores para assegurar substituições temporárias quando os docentes titulares entram de baixa.

Ainda não há muitos anos, eram sobretudo os horários em escolas periféricas os mais difíceis de preencher. Mas, actualmente, os custos elevados dos alojamentos na Grande Lisboa estão a trazer o fenómeno também para a capital.

No caso dos alunos mais novos, a frequentar o 1º ciclo, a solução tem passado por distribuir as crianças sem professor pelas outras turmas. Uma solução que é má para todos, pois obriga a colocar até 40 alunos na mesma sala, sobrecarregando os professores e prejudicando as aprendizagens dos alunos.

Nos outros ciclos, a falta prolongada do docente traduz-se em alunos sem aulas. Nalguns casos, por semanas ou mesmo meses. Excepcionalmente, já há escolas a dividir o horário do professor em falta pelos colegas do grupo disciplinar, recorrendo ao trabalho docente extraordinário para que todos os alunos possam ter aulas.

Torna-se assim evidente que a política de desinvestimento nos professores e na sua carreira, a aposta na precariedade para “tapar buracos” no sistema sem valorizar e compensar adequadamente os professores, tudo isto está a chegar rapidamente aos seus limites. A queixa recorrente noutros sectores da economia que primam pelos baixos salários, extrema precariedade e más condições laborais – “não há quem queira trabalhar!” – vai agora sendo proferida também pelos directores escolares e responsáveis da administração educativa.

E se pensam que é com uma política mais restritiva e punitiva em relação aos que recusam as colocações que o problema se resolve, desenganem-se. Atrair às escolas com os profissionais necessários passa por melhorias efectivas no acesso e no exercício da profissão. Não é com vinagre que se apanham moscas, nem com salários que não chegam, em muitos casos, sequer para cobrir as despesas. E se noutras áreas a ilusão do “voluntariado” ainda pode ajudar a recrutar alguns incautos, no ensino dos dias de hoje – e tendo em conta o que fizeram dele – já ninguém se dispõe a trabalhar para aquecer…

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