Animalismo

cat-petting-dog.gifNo rescaldo da polémica sobre as touradas, surgida em momento oportuno para desviar a discussão orçamental de outras incoerências e prioridades, Daniel Oliveira reflecte sobre esta sociedade de “amigos dos animais” em que Portugal se tem vindo a converter, em ritmo acelerado, ao longo da última década.

“Não damos cada vez mais importância aos direitos dos animais por estarmos cada vez mais próximos da natureza. Pelo contrário”, declarou o comentador. “Fechados nos nossos apartamentos, agarrados a animais de companhia quase humanizados, esquecemo-nos que a natureza é cruel, violenta, mortal. Até esquecemos que matamos para comer. A morte chega-nos embalada e higienizada.”

Daniel Oliveira acredita que, dentro de uma ou duas décadas, a tourada irá acabar, “porque remete para uma realidade que está a morrer, o que não é necessariamente bom”. “O mundo rural também vai acabar”, afirma. “O fim das touradas não impedirá o regresso do circo romano, porque não há qualquer relação entre as duas coisas.”

Para o jornalista, os direitos humanos e os direitos dos animais não podem ser incluídos no mesmo plano, “por mais importantes” que estes sejam, e quem humaniza os animais desta forma, não o faz por uma “crescente generosidade para com todos os seres vivos”. “Até suspeito que seja o contrário. Vamos substituindo as relações com humanos (difíceis e paritárias) pelas relações com animais (fáceis e dominadoras)”, atira.

O jornalista confessa que também tem animais em casa. Mas lança mesmo assim um olhar crítico sobre uma sociedade que confunde as aspirações, os gostos e as necessidades individuais com o interesse colectivo e as causas sociais e ambientais verdadeiramente relevantes. Onde cada vez mais pessoas desistem de ter filhos ou uma vida pessoal e social que as satisfaça plenamente, canalizando investimentos afectivos para os animais de estimação, cada vez mais humanizados. Estamos, diz Daniel Oliveira, a substituir o ambientalismo pelo animalismo…

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3 thoughts on “Animalismo

  1. Hoje estou sem paciência para o Daniel de Oliveira.

    -confunde e mistura animais de estimação com os animais que matamos para comer ( o que é parvo);

    – afirma que estar atento e defender direitos dos animais não significa que estamos mais próximos da natureza ( não sei o que dizer…);

    – as touradas não se equiparam a circos romanos e o fim de um não implica o aparecimento dos outros (pois não, temos lutas de cães, galos, etc,);

    – pelo meio, não se sabe bem porquê, avança com a ideia de que o mundo rural vai acabar ( esta também passo…);

    – afirma ainda que estamos a substituir relacionamentos sociais por relacionamentos com animais de estimação (depois das redes sociais, telemóveis e de todos os gadgets, temos agora outra razão para a falta de comunicação)

    E, o grande final : desistimos de ter filhos canalizando investimentos afectivos para animais de estimação.

    O Daniel de Oliveira devia era de insistir no porquê dessa desistência de ter filhos. Aí vou estar de acordo com ele, tenho a certeza.

    Ai Jazuz, Daniel!

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    • Esqueci-me do seguinte: aconselho, a este propósito, a leitura do livro “Cão como nós”, de Manuel Alegre

      Um livro cheio de sensibilidade e sobre uma amizade improvável que vai crescendo entre a personagem e o Kurika

      Aqui fica um poema de Manuel Alegre para o Kurika e que gostaria de dedicar ao DO:

      Como nós eras altivo
      fiel mas como nós
      desobediente.
      Gostavas de estar connosco a sós
      mas não cativo
      e sempre presente-ausente
      como nós.
      Cão que não querias
      ser cão
      e não lambias a mão
      e não respondias
      à voz.
      Cão
      como nós.

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  2. Racionalidade: zero. Os animais que são PRODUZIDOS para abate e consumo humano, e que quase NÃO existem em estado natural, e que são na maior parte dos casos (embora isso não seja relevante para o busílis do assunto) herbívoros, sofrem ou não sofrem? E, se sofrem, qual é a nossa responsabilidade nesse sofrimento, para mais quando NÃO temos necessidade de nos alimentarmos deles? Eis as questões que se quer elidir com considerações psicossociais da treta deste eminente tudólogo que dá pelo nome de Daniel Oliveira. Especismo é também ideologia. Um materialismo consequente não pode deixar fora da esfera da dignidade moral os animais não humanos. Falar de uma equiparação destes connosco é uma imbecilidade ideológica. O único direito que se trata de reconhecer aos outros animais é o de não serem mortos e torturados POR NÓS. O Daniel Oliveira e outros da mesma igualha falam dos direitos dos animais com a mesma DESUMANIDADE com que os nacionalistas falam dos imigrantes e dos refugiados. Não surpreende: são os mesmos mecanismos psicológicos pútridos que estão em acção.

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