Cinco anos. Quem dá menos?

leilao.jpgDepois de o PCP ter proposto a recuperação faseada do tempo de serviço que os professores e de outros trabalhadores do Estado perderam durante o congelamento, o BE não quis ficar atrás. E em vez do prazo de sete anos que já vigora na Madeira e o PCP toma como referência para os professores continentais, o Bloco resolve ser mais generoso: propõe cinco anos como prazo máximo para a recuperação total.

Esta solução, além de mais vantajosa para os professores e outras vítimas do congelamento, teria desde logo a vantagem de não empurrar o processo para uma terceira legislatura: ficaria concluído em 2023. Claro que terá, também, um maior impacto orçamental. E é neste ponto que a boa vontade dos partidos esbarra em questões indissociáveis da política de recuperação de rendimentos, como as volumosas rendas das parcerias público-privadas e os buracos sem fundo na banca onde todos os anos continuamos a lançar rios de dinheiro.

Hoje os encargos da dívida pública são já menos prementes do que num passado recente. Mas enquanto não se estancar o sorvedouro de dinheiro do contribuinte instalado na banca e nas empresas do regime, será impossível uma política condigna de carreiras e remunerações para todos os funcionários do Estado.

O Bloco de Esquerda junta-se ao PCP e exige que o governo regresse à mesa das negociações para contagem total da carreira dos docentes. 

O Bloco de Esquerda quer que o tempo de serviço dos professores seja considerado de modo faseado, no máximo, até ao final de 2023. A medida foi apresentada esta sexta-feira no âmbito das propostas de alteração ao Orçamento do Estado para 2019 (OE 2019).

Na conferência de imprensa, a deputada bloquista Mariana Mortágua sublinhou que “esta proposta se refere a todos os trabalhadores das carreiras e corpos especiais da administração pública, onde se incluem os professores, mas também, por exemplo, os polícias.”

No texto da proposta, o BE refere ainda que caso não exista acordo nas negociações sindicais, “o ritmo desta recuperação terá uma expressão de 20% no início de cada ano.”

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2 thoughts on “Cinco anos. Quem dá menos?

  1. Como é preciso pagar bancos e auto-estradas a recuperação do tempo dos professores que espere.
    Temos de ser compreensivos. Cinco anos pode ser demasiado rápido. É isto que nos quer dizer?

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    • Não. O justo é o direito dos professores à sua carreira – que lhes foi negado durante 9 anos, 4 meses e 2 dias e deveria ser de imediato recuperado.

      Admitindo que não é viável a recuperação total e imediata, aceita-se o faseamento. E aqui, como é óbvio, 5 anos é melhor que 7. 7 anos é melhor do que a perda definitiva que o governo pretende impor com o decreto dos 2-9-18.

      Deixando isto claro, enunciei uma outra questão que é a capacidade do país satisfazer estas reivindicações, inteiramente legítimas, dos professores e de outros trabalhadores do Estado. Acho que muita gente não se apercebe da enormidade de despesa que continuamos a ter com compromissos assumidos com as PPPs e a capitalização dos bancos falidos, só para dar os exemplos mais flagrantes.

      Temos hoje um Estado que não honra os compromissos com os seus trabalhadores e cobra uma das mais elevadas cargas fiscais a quem trabalha por conta de outrem. Tudo para financial um punhado de interesses parasitas que se instalaram à mesa do Orçamento e que têm passado incólumes pelas crises, pelas troikas e pelos apertos de cinto que são impostos aos cidadãos comuns.

      O que eu digo é que para haver futuro para este país e para quem nele vive e trabalha é necessário atacar as verdadeiras gorduras do Estado que continuam a crescer à custa dos nossos sacrifícios.

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