Uma escola sem telemóveis

41jCvflSc9L._SY450_.jpgA Escola EB23 de Lourosa, Santa Maria da Feira, fez algo que julgo ser inédito no nosso país: aboliu o uso de telemóveis pelos alunos em todo o espaço escolar. Quem leva o aparelho para a escola tem de o entregar ao professor no início da primeira aula, só o recebendo de volta ao final do dia de escola.

O que motivou a aplicação desta medida foi uma constatação que já todos os professores fizeram: as crianças e jovens interagem muito pouco nos recreios escolares, passando a maior parte do tempo entretidos com os telemóveis. E perante isto surgiu a ideia radical: recuperar, banindo o uso dos aparelhos electrónicos, o convívio, as brincadeiras e os jogos típicos dos intervalos escolares.

No início, houve algumas resistências. Foi preciso firmeza – e aplicar alguns castigos – para que todos percebessem que a tolerância zero aos telemóveis era mesmo para cumprir. Mas agora, lendo a reportagem do JN,  fica a ideia de que todos – alunos, pais, professores – parecem sentir-se agradados com a nova situação.

A estratégia resultou e a escola assiste ao reviver de brincadeiras há muito esquecidas. O jogo das cordas voltou a preencher os espaços de lazer, fizeram-se workshops sobre piões e até as antigas “escondidas” e as damas passaram a ser um entretenimento usual. Os intervalos na EB 2, 3 de Lourosa passaram a ser uma imagem de convívio e alegria contagiante.

“No início, foi um pouco estranho, porque não esperávamos uma medida destas. Quando foi aplicada, toda a gente pensava que a norma não ia ser seguida, mas acabamos todos por ter de a respeitar”, diz Catarina Borzyak, de 14 anos. Segundo conta a aluna do 9.o ano, acabou por resultar. “Em vez de os alunos ficarem nos cantos da escola com os telemóveis, começaram a juntar-se e a conviver mais”, explica.

“Fiquei triste quando me disseram que não podia usar o telemóvel na escola. Mas, agora, que passo o tempo com as minhas amigas acho que foi uma boa ideia”, conta Maria João, do 6.º ano.

Os professores, que têm o uso de telemóvel restrito à sala de professores, também estão agradados. “A escola está de parabéns. Os alunos convivem mais e voltaram às brincadeiras antigas”, atesta Maria Católico, professora de inglês, constatando, ainda, que terminaram as interrupções nas aulas para consultar o telemóvel.

Estela Oliveira, encarregada de educação de uma aluna da EB 2,3 de Lourosa, considera a proibição do uso de telemóveis muito positiva. “Quando os pais precisam de falar com os filhos podem ligar para a escola, como faziam antigamente”, afirma, adiantando que a medida evita até “situações desagradáveis”, como o roubo dos aparelhos ou filmagens indevidas que vão parar à Internet.

“Quase todos os pais concordam”, garante. Estela Oliveira diz ter sido “louvável” a forma como foram sancionados os alunos que não cumpriram. “Assim, os miúdos levaram a medida a sério”, concluiu.

11 thoughts on “Uma escola sem telemóveis

      • O quê????? Como???? Dá aulas no Burkina Faso???

        Na escola dos séc.XXI há falta tecnologias???
        Mas terão, certamente, ar condicionado, aquecimento, não há vidros partidos, nem fotocopiadoras que não funcionam, materiais sempre disponíveis, mesas e cadeiras sem lascas, pufs e sofás e cortinas cor-de-rosa… bem… pois… quem sabe… será, talvez, uma questão de prioridades

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  1. Li melhor……então os professores têm o telemóvel restrito à sala dos professores?!?

    E estão agradados?

    Ai que coisa gira, mesmo.

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  2. Também não tenho uma opinião definitiva sobre o assunto. Acho estas experiências importantes, e respeito a coragem desta escola ao seguir um caminho que não é fácil. Bem mais cómodo é acompanhar o espírito dos tempos e ignorar os alunos completamente viciados que passam os intervalos agarrados ao telemóvel, ou aqueles que sorrateiramente o espreitam durante as aulas.

    Por outro lado, tenho consciência que, mais tarde ou mais cedo, todos acabaremos a explorar algumas potencialidades dos telemóveis na educação. Se quase todos os alunos os têm, certamente que é mais fácil explorar uma tecnologia acessível do que esperar que algum dia as escolas tenham tablets ou computadores para serem usados por todos os alunos.

    Talvez o ideal fosse mesmo que, havendo recolha dos telemóveis, eles ficassem em lugar acessível, de forma a poderem ser usados em contexto de aula sempre que os professores o entendessem.

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  3. Nas artes visuais o smartphone é constantemente utilizado, como instrumento de pesquisa e registo.Penso que se poderá fazer excepção numa aula como a de Desenho, por exemplo.
    De qualquer modo, acho que a iniciativa de modo geral é inevitável sob pena de zombificarmos totalmente os miúdos.Não é por isso que ficamos menos modernaços ou “inovadores”. Não estamos a retroceder, estamos a recuar para ganhar balanço.

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  4. Sou professor nesta escola, conheço muito bem a realidade local e queria dar nota de algumas imprecisões que tenho lido e ouvido sobre esta questão. (Não sei se por erro dos articulistas ou se por falha de comunicação na altura dos depoimentos). 1) Para os professores, o uso dos telemóveis não está circunscrito à sala de professores, nunca tal ouvi. Aconselha-se apenas o uso parcimonioso do aparelho e o silêncio quando em sala de aula. Normal, portanto. 2) A medida não entrou em funcionamento neste ano letivo, mas sim no ano transato. Acontece que, há um mês, um jornal local abordou o assunto e a agenda mediática transformou-o quase em assunto nacional. Não foi, portanto, uma medida a reboque do que se passa em França. 3) (mais importante e fundamental) Os telemóveis e Tablets na António Alves Amorim podem ser usados na sala de aula. Há vários professores que o fazem (Kahoot, Plickers, Seesaw, Nearpod, GMail, Google Drive, Socrative são alguns dos recursos usados para atividades com os alunos). Pode dizer-se então que, nesta escola, o único lugar onde os telemóveis podem ser usados é na sala de aula. 4) É um facto que, no recreio, os alunos voltaram a brincar, a conversar e a jogar uns com uns outros. Isto é assim já há mais de um ano.

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    • Bom dia
      Acho que sim, uma medida, penso eu, gratificante ao aprendizado dos alunos e ao convívio entre seres humanos normais, que é conversarem trocarem ideias entre sim por palavras e não por escrita tecnológica.
      Parabéns à escola pela iniciativa.
      Exemplo que deveria ser de todas as instituições de ensino.
      muito bom.
      Rosa Lopes

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