Professores, património da Humanidade?

professoresUma ideia talvez não tão descabida como à primeira vista possa parecer. Ela terá surgido num debate sobre Educação realizado em Mirandela e foi ontem trazida às páginas do JN por Rui Nunes.

Porque a educação é o mais potente fator de desenvolvimento de um povo e o garante da construção de uma sociedade plural, igualitária e inclusiva devemos acarinhar e respeitar o “professor”. Desde logo o do Ensino Básico e Secundário. Porquanto é ele que molda a personalidade de todas as crianças e jovens e lhes garante, apesar de outras condicionantes sociais e económicas, um futuro aberto às diferentes experiências que a vida pode proporcionar. E potencia a aquisição das competências necessárias a uma plena autorrealização. Não há igualdade de oportunidades sem educação.

[…]

O professor é ainda responsável pela incorporação de outros valores intangíveis tal como a língua e a cultura. Ou mesmo a aprendizagem da arte ou da história como fatores identitários únicos e exclusivos de qualquer sociedade. Ser reconhecido pela UNESCO é um gesto de reconhecimento e gratidão pelo papel único do professor na sociedade, e pela sua função de educador e de exemplo, em qualquer país e cultura.

Note-se que, em Portugal, foi a universalização do ensino que colocou o país na rota da modernidade. Se hoje temos excelentes médicos, arquitetos, engenheiros, entre outros profissionais, ou se temos uma cultura de cidadania democrática e de respeito pelos direitos humanos devemos aos professores o seu empenho e a sua dedicação.

É inteiramente verdade foi na Educação que ocorreram alguns dos passos de gigante que Portugal deu nas últimas décadas, sobretudo após a conquista da liberdade e da democracia. Num grande número de famílias portuguesas, em três gerações passou-se do analfabetismo dos avós aos netos licenciados. Todo este esforço na educação e qualificação de crianças e jovens só foi conseguido com uma classe docente empenhada e dedicada aos seus alunos.

Se a Educação portuguesa evoluiu muito mais do que a Economia – como se vê nos milhares de jovens qualificados que todos os anos emigram, em busca dos empregos qualificados que a nossa economia estagnada não consegue gerar – isto significa que, de uma forma geral, os professores fizeram melhor o seu trabalho do que os políticos, empresários, gestores e banqueiros que têm desgovernado este país e as suas maiores empresas.

Seria então de inteira justiça reconhecer o valor do trabalho e da dedicação dos professores, tal como propõem os nossos colegas de Mirandela. Ainda assim, atrevo-me a sugerir: embora a importância dos professores seja imaterial, no sentido de que não tem preço tudo aquilo que eles dão à sociedade, seria bom que o reconhecimento devido não se ficasse no domínio do etéreo, mas se materializasse na satisfação de necessidades concretas que todos os professores sentem: boas condições de trabalho nas escolas, salários condignos, concursos justos e respeito pela carreira, pela dignidade e pelos direitos profissionais dos docentes…

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3 thoughts on “Professores, património da Humanidade?

    • Bom, eu também já estou um bocado saturado de coisas “imateriais”.
      Em vez de louvores, preferia ver a dignificação e o reconhecimento público da profissão de professor a traduzirem-se em acções concretas…

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  1. Discordo da ideia.

    Acho ridículo, disparatado até, que se apresentem tantas propostas disto e daquilo para Património, acaba por se banalizar tudo. É só folclore, já enjoa.

    Querer aplicar isso a uma profissão, ainda é mais ridículo e disparatado. E tantas outras, igualmente importantes?

    Entendo eu que a nossa profissão, é isso mesmo – uma profissão. Relevante e decisiva na vida das pessoas, sem dúvida, mas acima de tudo uma profissão, não uma vocação, como muitos ainda defendem. À conta da vocação, acham-se no direito de nos exigirem mais, mais e mais, mas nada mais em troca. Pelo contrário, como bem sabemos.
    Dignificação e respeito da parte do poder político e da sociedade, com destaque para os pais e famílias, e, fundamentalmente, da parte dos alunos, é isso que devemos exigir!

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