Se já sabem tudo…

…porque é que perguntam?

a-schleicher

Porque é que insistem em fazer estudos cujas conclusões já estão definidas à partida?

Claro que as “políticas públicas” que a OCDE, a mando dos poderes políticos e económicos que comandam a organização, pretende impor à escala global, aderem melhor se houver “estudos” e “evidências” que comprovem a sua necessidade e adequação.

E assim, lá vão os alunos de Sintra participar no estudo mundial da OCDE, patrocinado entre nós pela Fundação Gulbenkian, a Câmara local, presidida por Basílio Horta, e, como não poderia deixar de ser, o apoio entusiástico do Ministério da Educação.

Quanto aos resultados… o estudo ainda não foi feito, mas o clarividente director Schleicher esclarece-nos desde já sobre o que é suposto vir a demonstrar…

De acordo com a OCDE, os jovens com mais competências sociais e emocionais têm tendência para ter melhores notas, melhores empregos e salários mais elevados, assim como menos comportamentos violentos ou criminosos.

No mundo tecnológico em que se vive actualmente, “as escolas não podem simplesmente educar para criar uma segunda versão de computadores”, afirmou o director do Departamento de Educação e Competências da OCDE, Andreas Schleicher, em Sintra, após a assinatura de um protocolo para a realização do estudo.

O responsável da OCDE lembrou que os professores não se podem limitar a ensinar apenas as matérias que estão nos manuais, porque este conhecimento já está disponível em todo o lado.

“O mundo mudou. Vivemos hoje num mundo virtual em que já não se premeia o conhecimento, porque o Google sabe tudo”, afirmou Andreas Schleicher. As mais-valias dos jovens são, precisamente, as suas competências sociais e emocionais: “Não basta ter conhecimento. É preciso saber pensar como um matemático, ou como um cientista ou um historiador”, explicou o responsável da OCDE.

Teoricamente estas ideias fazem sentido. Jovens com mais competências terão maiores oportunidades de realização pessoal. Mas também expectativas mais elevadas. O problema surge quando o actual modelo de economia e sociedade não tem capacidade para absorver estas pessoas e os seus múltiplos talentos, remetendo-os para a inactividade ou para trabalhos precários e menos qualificados. Que também precisam de ser feitos…

Quando o jovem cheio de competências percebe que não poderá ser o matemático, o cientista ou o historiador que ambiciona, porque milhares de outros, tão ou mais competentes, já preencheram os lugares, temos um problema pessoal. Que rapidamente passa a ser o problema de toda uma geração. Pois a verdade é que a nova economia está a fazer desaparecer empregos com maior rapidez do os que cria. E a maioria daqueles que surgem não correspondem de todo às ambições que a OCDE pretende alimentar nas novas gerações.

A ideia de que podemos resolver os problemas sociais através da educação, dispensando reformas políticas e económicas que incomodem os poderosos é uma ilusão perigosa. Mas o mito do “homem novo” parece estar a crescer e a adaptar-se bem ao admirável mundo do século XXI.

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