Como andam os professores portugueses?

Foram ontem divulgados os resultados completos do grande inquérito  às condições de vida e trabalho dos professores, realizado por uma equipa de investigadores da Universidade Nova coordenada por Raquel Varela. Entre as conclusões, a maior parte  delas expectáveis, talvez a mais surpreendente seja esta: cerca de 30 mil docentes poderão estar a recorrer ao consumo excessivo de medicamentos ou drogas para aguentar o excesso de trabalho e o stress profissional.

António Leuschner, psiquiatra e presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, alerta, porém, que é preciso “olhar com muito cuidado para estes dados”, evitando extrapolações, uma vez que o estudo não identifica o tipo de medicação que os professores consideram que estão a tomar em excesso. “É muito diferente falarmos de psicofármacos ou analgésicos”, explica. Ainda assim, admite que uma parte dos docentes possa, de facto, tomar antidepressivos em excesso à semelhança do que acontece com a generalidade da população portuguesa.

O trabalho da UNL para a Fenprof mostra também que quase metade (47,8%) dos professores revela sinais no mínimo preocupantes de exaustão emocional — 20,6% mostram sinais “preocupantes”, 15,6% apresentam “sinais críticos” e 11,6% têm já “sinais extremos” de esgotamento.

Os investigadores cruzaram estes indicadores com os dados recolhidos sobre o consumo de álcool, drogas ou medicamentos e encontraram uma relação de “fortíssima dependência” entre as duas variáveis. Ou seja, os professores que se encontram em situação de esgotamento emocional extremo são os que revelam estar mais preocupados com os seus níveis de consumo.

Apesar de o estudo da UNL mostrar que os níveis de exaustão emocional existentes entre os professores portugueses são superiores aos registados na generalidade dos países com os quais é feita uma comparação, o recurso a medicamentos, álcool e drogas como doping tem indicadores “muito semelhantes” aos encontrados em outros países, refere Raquel Varela.

A grande maioria dos professores queixa-se do excesso de burocracia na profissão e mostra-se preocupada com os níveis de indisciplina. O desgaste e o burnout profissional impedem muitos professores de alcançar a realização profissional que certamente almejariam quando iniciaram a sua carreira. Sentindo-se cansados e impotentes para mudar o rumo da Educação portuguesa, quase todos anseiam pela reforma antecipada…

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A peça do Público, de onde também extraí os gráficos, expõe os principais dados e conclusões deste estudo de forma bastante completa. É leitura recomendada para quem quiser saber mais.

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4 thoughts on “Como andam os professores portugueses?

  1. A reforma antecipada!

    Caros colegas e cidadãos em geral,

    Mas que grande novela esta. Quase como o caso Tancos.

    A cada qual a sua versão de negociação da reforma antecipada!

    Nunca tinha visto o ministro Vieira da Silva tão constrangido, nunca tinha visto a Mariana Mortágua do BE tão constrangida ou ainda a Catarina Martins do PS.

    Do quem roubou as armas e porquê, passamos para onde está a lógica de uma reforma antecipada aos 60/40 de descontos sem penalização do factor de sustentabilidade para:

    – quando quem tem mais de 40 anos de descontos vê vedada a hipótese de se reformar antecipadamente, mesmo com duplo corte?

    – quando , afinal, o BE diz que não é bem assim e que pode haver lugar a reforma antecipada, sim senhora, mas com os cortes?

    – o ministro V da Silva diz que não;há 1 critério – é só aos 60/40 e se não for este o caso entras na lei geral, os tais 66,4 meses e em crescendo;

    – deputados do BE dizem o oposto; Francisco Louçã diz o oposto e parece concordar com Mariana Mortágua; Já Fernando Rosas diz o oposto de F. Louçã e MM;

    – O PCP diz que é a partir dos 40 anos de descontos, considerada 1 longa carreira contributiva, logo sem qq cortes;

    – alguma comunicação social diz que é aos 63 anos;

    – César diz que algo tem de ser explicitado;

    – A. Costa, de Bruxelas, diz que o seu ministro V da Silva está certo.

    A oposição à direita diz que isto é injusto mas não se compromete com nada.

    J Gomes Ferreira dá um ar da sua graça e explica a falta de lógica da coisa- então se se tiver 61 anos e 40 de descontos já não se pode pedir a reforma antecipada sem o duplo corte e/ou mesmo com esses cortes?

    Adolfo Mesquita, do CDS, talvez o único homem inteligente do partido, aproveita-se da demagogia e “esquecimento” e faz a mesma pergunta a M Mortágua que mete os pés pelas mãos e, talvez pela 1ª vez, perde a compostura e sai do seu tom de cátedra e/ou sermão dominical.

    Arménio Carlos, da CGTP, avança com a única ideia inteligente – o critério tem de ser a contagem da carreira contributiva e não a idade, o que é lógico.

    Isto é tudo muito confuso, não é?

    Espere-se por algum bom senso (?!) e pelas negociações na especialidade.

    Nota: é evidente que aqui não há bom senso. aqui há 1 critério que abrange poucos cidadãos. pensar e legislar de acordo com o bom senso implicaria abranger mais cidadãos e, por essa via, gastar-se mais dinheiro. Esta é a razão do critério do governo e do acabrunhado ministro V da Silva ….

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    • O problema é muito simples, temos de capitalizar o Estado para que possa continuar a meter dinheiro nos bancos sempre que for necessário. E pagar os empréstimos e as PPP e tudo o mais.

      Enquanto não mudar este paradigma de andarmos com os bancos, as empresas e as negociatas do regime às costas, não há dinheiro para reformas nem para nada que não seja dar dinheiro a ganhar aos mesmos de sempre…

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  2. Mas ninguém se incomoda com isto! Então, que pensar das verdadeiras intenções de quem se diz preocupado com os níveis de sucesso nas aprendizagens dos nossos jovens, se se estão perfeitamente “nas tintas” para a saúde dos professores e para as suas condições de trabalho?

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