Novas pedagogias – O trabalho de projecto

trab-projecto.jpgA aprendizagem por projectos pretende substituir o sistema formal de ensino, centrado na explicação do professor, no uso sistemático do manual e na avaliação formal através de testes, por uma aprendizagem baseada na resolução de problemas. Será que resulta?

Este método surgiu nos Estados Unidos, nos cursos universitários de Medicina, estendendo-se progressivamente ao ensino secundário e ao básico. A investigadora Marta Ferrero reconhece que o sistema funciona e tem dado bons resultados com estudantes mais avançados, que já têm algum conhecimento da matéria, mas não é recomendado quando se trata de ensinar conhecimentos básicos nem para alunos com dificuldades.

Entre nós, o trabalho de projecto tem sido apontado como uma metodologia de eleição pelos apóstolos do novo projecto de flexibilidade curricular, por ser alegadamente capaz de melhorar as aprendizagens de alunos desmotivados pelas pedagogias tradicionais. Ora  a investigação parece apontar no sentido oposto: são precisamente os alunos com maiores dificuldades os que mais facilmente ficarão “perdidos” perante as abordagens holísticas e problematizadoras que lhes são propostas, mas para as quais não reúnem os pré-requisitos necessários a uma aprendizagem bem sucedida.

Voltando à investigadora citada, ela sublinha que “o problema é que há métodos que servem para umas idades ou aprendizagens e não para outros. Escolhe-se uma metodologia, esquecem-se ou não se ensinam essas diferentes matizes e, de repente, generaliza-se um sistema a todos os alunos e níveis de ensino”. Obviamente, é perigoso: em pedagogia, nem tudo funciona em qualquer circunstância.

Adaptado daqui.

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8 thoughts on “Novas pedagogias – O trabalho de projecto

  1. António, essas são as nossas conclusões, de meros zecos cujos estudos são anos de experiência.

    O trabalho de projeto funciona nos casos citados e como metodologia ocasional, não sistemática.

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  2. A metodologia projectal é urgente, a mudança é urgente, mas as instalações e equipamentos, estão obsoletos, as cargas horárias dos alunos e todo o sistema não comporta mudanças. Numa fase de transiçao a Area de Projecto funcionaria melhor, mas o ministério quer mudanças a custo zero e agora atira a responsabilidade para todos os profs.

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    • Ó Quelhas, meta a metodologia projetal onde lhe aprouver. “A mudança é urgente”, diz a senhora, mais uma patinadora da modernidade.

      Ó minha cara, é professora? Se sim, tenha vergonha e pinte a cara de preto. Não sabe que o sujeito e o predicado não se separam? É isto que a distinta anda a projetar com os seus alunos? Pobres coitados! Estão nas mãos de uma analfabeta funcional.

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  3. “Em Portugal, o trabalho de projecto ganha sentido e identidade logo a partir da revolução de Abril de 1974. Mas só em 1986, com a aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo, se criou o espaço institucional para a aplicação da metodologia de trabalho de projecto, com a integração da Área Escola (….)Na proposta de revisão Curricular do Ensino Básico e na Revisão Curricular do Ensino Secundário de 2002, dá-se continuidade a esta opção metodológica – trabalho de projecto – agora integrada na área de projecto e área de projecto tecnológico”
    (In Gerir o trabalho de projecto-guia para a flexibilização e revisão curriculares, Texto Editora, Lisete Barbosa de Castro e Maria Manuel Calvet Ricardo, 1993).

    Tenho aqui o livro à minha frente.

    Confesso as minhas muitas dúvidas em relação a esta metodologia e a minha ignorância em relação às múltiplas aplicações e implementações que se sucederam- Webquests, trabalhos de pesquisa, trabalhos de grupo, etc.

    Em acções de formação era-me dito que o que fazia não tinha nada a ver com a verdadeira metodologia de trabalho de projecto. As várias etapas tinham de ser seguidas e a questão fundamental “a identificação do problema” não tinha nada a ver com o que se pretendia no final- uma acção sobre uma qualquer realidade.

    Lembro-me de ter respondido que esse tal de “problema” podia ter várias leituras e a “acção” pretendida também.

    Dei vários exemplos a nível da aprendizagem de uma língua estrangeira, nomeadamente a nível da aquisição de vocabulário, em anos escolares iniciais.

    Não! Isso não é trabalho de projecto!, foi sempre a resposta.

    Até que desliguei, porque não valia a pena insistir naquilo que na altura e até hoje considero algo muito rígido e duma pureza incapaz de ser questionada.

    Até que tempos depois comprei um livro da Cambridge onde se davam exemplos de como implementar simples trabalhos de projecto com alunos muito novos – o que li foi exactamente o que tinha relatado em várias acções de formação e onde me tinham dito que estava tudo errado.

    O problema? – por exemplo, vocabulário sobre “My House”, “My Family”, My Pet”, com orientações e supervisões simples e posterior apresentação dos trabalhos, como os alunos decidiram.

    A Acção transformadora?- não conheciam este vocabulário e ficaram a conhecer, depois de pesquisas.

    E pronto.

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  4. Mais uma questão: parece-me muito difícil o processo de ensino aprendizagem nas escolas básicas e secundárias ter por base esta metodologia de projecto em todo o tempo e em qualquer circunstância. E mesmo no ensino superior tenho dúvidas.
    Tem de haver bom senso em toda esta questão.

    E, agora, até poderia referir a diferenciação pedagógica e a teoria das inteligências múltiplas. Dir-me-ão que a metodologia de projecto engloba estas metodologias. Acredito que sim.

    Mas, sempre?

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  5. Alguns princípios que se adquirem ao fim de alguns anos de prática pedagógica e fazendo uso de simples bom senso, mas que tantas vezes parecem passar ao lado das sumas sapiências das ditas ciências da educação:

    – Nenhuma pedagogia funciona em todas as situações e com todo o tipo de alunos:

    – O que geralmente fazem os bons professores é seleccionar as melhores estratégicas e práticas pedagógicas de acordo com o conhecimento que vão tendo dos alunos e das turmas e do que resulta ou não em cada contexto;

    – Com bons alunos, atentos, interessados e motivados, quase tudo funciona – o problema são os outros, os desmotivados, os que têm problemas psicológicos, sociais ou familiares que interferem com a aprendizagem – pelo que é pura ilusão achar que se resolvem os problemas do insucesso, do abandono ou da indisciplina com um simples ajustamento das pedagogias.

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