Fake news

O problema da falta de vagas na rede pública de educação pré-escolar é real, afectando sobretudo a zona da Grande Lisboa.

Problema igualmente grave, mas menos falado, é o das crianças que fazem os seis anos entre 15 de Setembro e 31 de Dezembro e que são forçadas a ficar mais um ano no jardim de infância sempre que o ME não abre turmas suficientes para receber estes alunos no 1º ano. Ora a transição destes alunos, sendo facultativa, deveria ser decidida com base em critérios estritamente pedagógicos e não condicionada por critérios administrativos e economicistas.

Posto isto, é de lamentar a forma manipulatória e sensacionalista como estes assuntos continuam a ser tratados por alguma imprensa, veiculando informação falsa e colocando-se ao serviço de estratégias político-partidárias. Estiveram mal o Público e a jornalista Clara Viana, neste caso denunciado pel’Os Truques da Imprensa Portuguesa.

Primeiro, inventa uma mentira e forja dados. Depois, perante a denúncia, mantém-na. Entretanto, um partido toma uma iniciativa com base na mentira. Por fim, faz notícia dessa iniciativa, sublinhando orgulhosamente que ela assenta na mentira original. É o Público.

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Questionam-se os leitores: mais do dobro é quanto? Em que é que se traduz este aumento de 100% a que se refere o Público? Segundo a mesma notícia, mais abaixo, este ano já se terão queixado de problemas de colocação no pré-escolar… 20 pessoas, um número manifestamente baixo no universo de pais e crianças para tirar qualquer ilação sobre variações.

Mas o problema mais grave é, sem dúvida, outro: o número de queixas apontado é falso. Sendo que as queixas submetidas no Portal da Queixa são abertas e visíveis por qualquer pessoa que aceda ao Portal, é fácil de verificar que apenas foram submetidas 13 queixas (e não 20) relativamente ao período de inscrições de 2018.

Como se não bastasse, também o número de queixas relativas a 2017, através do qual se chega à conclusão sobre o aumento de 100%, é falso. Não foi de 10 (como se deduz pela notícia), mas sim de 14.

Ou seja, a “onda de reclamações” que supostamente decorria de aumento de 100% (de 10 para 20), afinal, é uma redução do número de queixas, igualmente desprezível, de 14 para 13. É – digamos – uma onda em maré vaza.

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One thought on “Fake news

  1. Os Truques da Imprensa Portuguesa- desconhecia completamente.

    Vou passar a prestar mais atenção porque gosto muito especialmente destes temas sobre o 4º poder.

    Gostar

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