A melhor vitória

tabarezSobre os méritos e deméritos das selecções de futebol de Portugal e do Uruguai, que se defrontaram há pouco, remeto para os entendidos nas questões da bola.

Espectador nem sempre suficientemente atento dos grandes jogo e pouco conhecedor das vicissitudes e dos meandros do futebol, poderei ter umas ideias, mas não sei ajuizar, em definitivo, acerca da justeza do resultado do jogo que há pouco terminou.

Mas há uma coisa que sei e valorizo: a equipa do Uruguai tem um treinador exemplar na capacidade que tem de aproveitar a visibilidade do cargo para falar, não apenas de vitórias no futebol, mas também de outros triunfos que deseja para o seu país. Por exemplo, na Educação.

Oscar Tabárez relembra uma promessa esquecida feita aos uruguaios, a de elevar a despesa pública em Educação a 6% do PIB. Porque é nas escolas de todo o país, e não nos estádios onde se disputa o Mundial, que verdadeiramente se joga o futuro das novas gerações. E nota que de nada lhes serve serem campeões na Rússia, se a maioria dos jovens não sabem sequer onde fica este país. Ou não percebem porque há, na selecção francesa, tantos jogadores nascidos em África ou filhos de africanos.

Independentemente de quão longe consiga chegar a sua selecção neste campeonato, o seleccionador uruguaio já marcou pontos importantes no debate social e político do seu próprio país. Um exemplo a assinalar, numa época em que o futebol continua a ser usado, demasiadas vezes, para alinear o povo, desviando a atenção dos cidadãos dos assuntos verdadeiramente importantes.

Fica a transcrição parcial da carta que Oscar Tabárez dirigiu aos professores uruguaios.

Queridos compatriotas,  encontramo-nos num momento decisivo para o país, para os nossos jovens e o nosso futuro. Nestes dias vamos jogar uma das partidas mais importantes. É necessário o apoio e a solidariedade de cada um dos uruguaios.

Este Junho, não é um Junho qualquer. Neste mês jogamos o futuro dos nossos jovens. É a oportunidade para cumprir o prometido, e marcar o golo mais importante: dar aos nossos jovens melhores condições para estudar, pôr a educação pública nas melhores ligas dos rankings internacionais. É o momento de cumprir o prometido e chegar aos 6% do PIB para a Educação Pública.

Como Professor sei o esforço, dedicação e compromisso que cada docente emprega nas suas aulas, nesse campo onde é tão difícil jogar. Nesse campo os rivais e as dificuldades são enormes. A má alimentação dos estudantes, a falta de estímulos e motivação, a falta de materiais didácticos para trabalhar, as dificuldades de aprendizagem, a sobrelotação e acima de tudo a falta de reconhecimento por este trabalho tão importante para construir uma sociedade melhor.

De nada serve sermos campeões do mundo se os nossos jovens não sabem onde fica a Rússia, ou porque há, na selecção francesa, tantos jogadores nascidos em África ou com pais africanos. De nada serve sermos campeões se não transmitirmos aos nossos jovens que valorizamos o que eles fazem e acreditamos que terão um futuro esperançoso. Temos a responsabilidade e a obrigação de dizer a todos os jovens e crianças  do Uruguai que acreditamos neles e que vale a pena apostar no seu futuro, e que se for necessário fazer mais esforços para lhes darmos o que merecem o iremos fazer.

Uma fraternal e respeitosa saudação a todos os docentes do Uruguai.

Oscar Washington Tabárez

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