Para que serve a avaliação de professores?

super-prof.gifNão é uma ideia muito popular entre os professores, sobretudo entre os que se acham melhores profissionais do que os restantes.

Também não faz parte da cultura organizacional de muitas escolas, onde aos mais graduados se permite que escolham as turmas e os níveis a leccionar.

Mas é uma verdade evidente em si mesma: assumindo-se que a avaliação de professores é feita para escolher os “melhores”, então é a estes que deveriam ser confiadas, a partir daí, as turmas e os alunos mais difíceis e desafiantes.

O relatório recente da OCDE identifica o problema, que naturalmente não deixará de ser explorado nos media, como sempre que sucede quando, entre nós, a carreira e as progressões dos professores surgem na ordem do dia.

“Qualquer política de professores que vise lidar com a desvantagem do estudante deve-se esforçar para alocar professores de qualidade, e não apenas mais professores, para alunos carentes”, defende a OCDE.

Os próprios diretores reconhecem que a falta de docentes qualificados é “uma barreira importante para superar as desvantagens e melhorar a aprendizagem”.

Portugal é apontado como um dos países onde as escolas favorecidas empregam “significativamente mais professores seniores do que as escolas mais carenciadas”, surgindo assim ao lado de países como a Espanha, Austrália, Itália, República Dominicana e Estados Unidos da América.

Para conseguir ter os mais talentosos a trabalhar nas escolas e salas de aulas mais difíceis é preciso dar condições especiais que atraiam estes profissionais, sublinham os investigadores.

“As condições de trabalho e o salário têm de ser refletidos nos casos em que as tarefas são mais difíceis, porque assim (os diretores) terão mais capacidade para atrair os professores mais talentosos para as classes mais desafiantes”, defende a OCDE.

Pessoalmente, sempre me desagradou este discurso maniqueísta que divide professores, escolas, turmas e alunos em bons e maus. Um discurso que não nos ajuda a entender a realidade, muito menos a agir sobre ela.

Seria cómodo se assim fosse, mas a verdade é que não é a qualidade dos professores o factor determinante do insucesso escolar, mas sim a pobreza cultural e material em que vivem certas comunidades. É o agravamento das desigualdades, na escola e na sociedade, que deve ser contestado e combatido. E isto faz-se, não com mais pedagogia, mas sim assumindo opções de política económica e social diferentes das que têm sido seguidas.

Mais importante do que encaminhar professores talentosos para escolas recheadas de alunos problemáticos é combater a exclusão e os guetos educativos, promovendo a heterogeneidade e uma escola pública verdadeiramente inclusiva.

E em vez de tentar criar uma elite de super-professores, capacitados para resolver todos os problemas escolares, mais valeria apostar na formação, motivação e valorização profissional de todos os professores. Porque, e aqui está outra verdade evidente, todos os alunos têm direito a ter bons professores.

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2 thoughts on “Para que serve a avaliação de professores?

  1. “…todos os alunos têm direito a ter bons professores.”

    Acrescente-se:

    ………e a equipas de profissionais especializados na multiplicidade de aspectos de tantos alunos.

    Confesso que não sei lidar com alunos com NEEs . Não sei se o que faço é bom para eles ou não. Faço-o porque me obrigam, socorrendo-me de muito bom senso , experiência e muita, muita atenção aos sinais que vou tendo da parte destes alunos.

    Mas o que me aflige é que posso estar a fazer algo de errado…..

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    • Claro!

      Esse é outro mito, o de que o superprofessor pode ser bom em tudo e desenrascar-se em todas as situações. Na verdade, o caminho para a escola verdadeiramente inclusiva, adaptada às necessidades de cada aluno, a tal escola-alfaiate de que há tempos falava o ministro, precisa de profissionais especializados, não só professores das diferentes áreas disciplinares mas também da educação especial, psicólogos, terapeutas e outros especialistas. Não para se atropelarem ou substituírem uns aos outros, como se pretende com a escola generalista do currículo flexível, mas para se complementarem trabalhando em equipa.

      Mas isso daria outro post…

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