A rapidinha avaliativa

filinto+lima[1]Não é fácil ser o especialista instantâneo sobre escolas e educação, e nessa qualidade assumir-se o dever, quase a obrigação, de opinar sobre tudo o que seja tema educativo e reagir, a quente, em cima do acontecimento.

Mas Filinto Lima, o director escolar que é também presidente de uma associação dos directores, a ANDAEP, assume uma omnipresença na comunicação social que nem sempre lhe permite, na ânsia de ser o primeiro a falar sobre tudo, reflectir e ponderar as suas intervenções.

Lamentáveis, é o mínimo que se pode dizer das suas declarações de ontem sobre a ridícula e prepotente “nota informativa” com que o ME, por interposta DGEstE, pretende passar por cima da legislação em vigor, instituindo o vale-tudo na avaliação dos alunos.

Percebe-se que, para Filinto, o adiamento sucessivo das reuniões, mais do que prejudicar os alunos – que não prejudica, pois está sempre assegurada a possibilidade de irem a exame mesmo que as notas não tenham saído – incomoda os senhores directores. E como tal, alguma coisa o ME teria de fazer rapidamente, que a vida dos nossos directores não é andarem a ser incomodados pelas greves dos professor…zecos!…

“O Ministério da Educação tinha que vir a terreiro dizer alguma coisa, isto não se podia perpetuar. Esta foi a estratégia que o Ministério encontrou para a resolução rápida do problema criado com as greves”, disse à Lusa Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

Segundo o representante dos diretores escolares, “alguns conselhos de turma não estão a ser realizados consecutivamente”, mas recusou comentar ou comprometer-se com os números avançados pelo recém-criado Sindicato de Todos os Professores (S.T.O.P.), que diz que a greve às avaliações a decorrer desde dia 04 e até 15 de junho já bloqueou centenas de reuniões.

Em resposta, esvaziando a greve em curso de qualquer efeito prático sobre os anos em que se realizam provas finais ou exames nacionais, o Ministério da Educação (ME) anunciou hoje que enviou orientações às escolas a determinar a realização de provas finais e exames nacionais para todos os alunos, mesmo que ainda não tenham sido atribuídas notas internas.

Filinto Lima admite que a situação em torno da greve “não é agradável para as escolas”, nem para os alunos, que “todos os dias perguntam ansiosos quando saem as suas notas”, mas reconheceu que “estas são as armas que os sindicatos têm para lutar, e cada um luta com as armas que tem”.

As preocupações dos diretores estão já voltadas para o arranque do próximo ano letivo, admitindo que possa vir a ser prejudicado pelas greves em curso e anunciadas.

“Nós, diretores, estamos no meio disto e queremos paz. Esperemos que nos próximos dias seja dado um sinal de entendimento”, disse o presidente da ANDAEP.

Gostaria apenas de notar ao director Filinto que a greve não é uma “arma” dos sindicatos, mas sim dos professores. É certo que são aqueles que a convocam, mas são estes que, aderindo ou não à greve, determinam o seu sucesso.

Quanto à ideia de que os directores “querem paz”, esse é, obviamente, um desejo que partilham com a classe docente, que preferiria não estar envolvida nesta “guerra” a que o governo, com a sua intransigência e desonestidade, a obrigou a entrar.

Antes da paz que também anseiam, os professores exigem justiça.

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