Estou em greve! E a Fenprof também deveria estar…

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Quando escrevo estas linhas estou a faltar a um conselho de turma que, com a minha ausência, não se realizou. E amanhã, tal como sucedeu ontem lá para os meus lados, outros colegas assegurarão, aderindo por sua vez à greve, o adiamento das reuniões de avaliação. Pelo que vou lendo na página do S.TO.P., o mesmo estará a suceder em mais de uma centena de escolas e agrupamentos, numa organização mais ou menos espontânea mas nem por isso menos eficaz.

Claro que a mobilização poderia ser ainda maior se os sindicatos mais representativos dos professores estivessem a fazer aquilo que seria a sua obrigação: apoiar sem reservas a única luta dos professores que, nesta altura do ano, pode ser eficaz para desbloquear um conflito que se vem arrastando, sem solução à vista, em torno da recuperação do tempo de serviço.

Aqui, responsabilizo especialmente os sindicatos da Fenprof, que tantas vezes chamam os professores para a luta e agora, que os vêem dispostos a lutar a sério, andam a entretê-los com supostas “aberturas negociais” do governo e greves às avaliações só a partir de 18 de Junho, quando os alunos que vão a exame tiverem sido já todos avaliados.

E responsabilizo a Fenprof por duas ordens de razões: primeiro porque sou filiado num dos sindicatos desta federação e entendo que ela não me está, nestas circunstâncias, a servir e a representar condignamente. E também porque, sendo a maior e mais representativa organização de professores, tem especial peso e repercussão tudo aquilo que, por acção ou por omissão, decida fazer.

Contudo, e para ser inteiramente justo, devo reconhecer que esta não é certamente a posição que as direcções dos sindicatos da Fenprof gostariam de tomar. Tanto quanto nos é dado saber, foi proposto pela Fenprof aos restantes sindicatos que compõem a plataforma o apoio à greve convocada pelo S.TO.P. Contudo, a FNE e a maioria dos sindicatos ditos independentes não concordaram com a proposta. No caso da FNE é já evidente, no discurso de Dias da Silva, a vontade de colocar a contestação dos professores em banho-maria, enquanto vão falando em novas acções de luta no início do próximo ano lectivo.

Pela minha parte, percebo que os compromissos são para ser honrados. E a plataforma sindical concretiza um desejo tantas vezes ouvido nas salas de professores: o de que os sindicatos se unam e reivindiquem a uma só voz em nome dos professores. Só que a união tem destas coisas: por vezes acabamos comprometidos com autênticos estropícios que não fazem nem deixam fazer o que precisa de ser feito. Ainda assim existe, na minha maneira de ver, um compromisso da Fenprof que é maior do que qualquer outro que possa fazer com o sindicalismo amarelo: aquele que a liga aos professores que representa, defende e que são, em boa verdade, a única razão da sua existência.

2 thoughts on “Estou em greve! E a Fenprof também deveria estar…

  1. Precisamos de gente “nova” sem rabos presos!
    Porque é que o SPRC/FENPROF recuou na greve aos exames? Qual foi a contrapartida desta vez?
    Por já ter descontado muitos dias de greve ao longo de 40 anos penso que se deveria ir para outra forma de luta:
    Atribuir a nota máxima a todos os alunos na avaliação final ou provas/exames que tenhamos de classificar.
    Com alguma sorte levantam-nos um processo disciplinar e mandam-nos para casa com reforma compulsiva!

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