Plataforma sindical marca greve às avaliações

greveMas é uma greve frouxa, uma vez que o pré-aviso é válido apenas a partir de 18 de Junho. Só abrange, por isso, as reuniões de avaliação dos anos em que não há exames nacionais, o que retira qualquer impacto à greve. Como bem se percebeu em 2013, o que dói é o adiamento da saída das notas dos alunos que vão a exame, já que em última análise estes poderão ter de os fazer sem conhecerem as classificações internas. E isto induz perturbação no sistema e pressão sobre o governo. E dá visibilidade e acutilância à luta dos professores.

A impressão que fica, da posição tomada hoje pela quase totalidade dos sindicatos docentes, é que não quiseram correr o risco de se verem ultrapassados pelos acontecimentos. Marcaram a greve que alguns reclamavam, mas não estão convictos nem da sua oportunidade nem da sua eficácia.

Perceberam, algo tardiamente, a necessidade de levar uma cartada para as negociações da próxima semana. O problema é que as cartas são fracas e demasiado óbvia a tentativa de bluff. O que, obviamente, não credibiliza as posições sindicais nem prestigia a classe dos professores.

Fica o excerto mais significativo do comunicado conjunto dos sindicatos que convocaram esta greve.

[…] Hoje, confirmou-se que o ministério da Educação e o governo não compreenderam o significado da Manifestação Nacional do passado dia 19 de maio e não querem, realmente, resolver qualquer problema. Só assim se entende o projeto de despacho sobre a organização do ano letivo 2018/19, enviado de manhã às organizações sindicais, que não altera absolutamente nada sobre os horários dos professores, mantendo a ilegalidade, e chega até a ser mais negativo que o anterior, por exemplo, em relação à direção de turma.

Face a esta situação, marcada pela insensibilidade do governo e do ministério da Educação em relação às justíssimas reivindicações dos professores, mas, também, pelo incumprimento dos compromissos assumidos no início do ano letivo, as organizações sindicais de professores e educadores decidem:

– Marcar greve à atividade de avaliação a partir do dia 18 de junho, com incidência nas reuniões de conselho de turma dos 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade, bem como, a partir de 22 de junho, às reuniões da educação pré-escolar e do 1.º ciclo do ensino básico, prevendo que, num primeiro momento, a greve se prolongue até final de junho, podendo continuar em julho;

– Encetar, de imediato, contactos com organizações sindicais de outros setores da Administração Pública a quem o governo também recusa recuperar, para efeitos de carreira, o tempo de serviço congelado no sentido de serem desenvolvidas ações e lutas conjuntas, com vista a eliminar a discriminação que o governo pretende impor a um conjunto largo de trabalhadores.

As organizações sindicais de professores e educadores decidem entregar, ainda hoje, o pré-aviso de greve, não por qualquer questão de ordem legal, mas para que o governo compreenda que não poderá chegar às reuniões de 4, 5 e 6 de junho sem propostas que deem resposta aos problemas que afetam os docentes.

Lisboa, 28 de maio de 2018

As organizações sindicais de professores e educadores

ASPL – FENPROF – FNE – PRÓ-ORDEM – SEPLEU – SINAPE – SINDEP – SIPE – SIPPEB – SPLIU

2 thoughts on “Plataforma sindical marca greve às avaliações

  1. A greve em causa está a decorrer a partir do dia de hoje, 4 de Junho, pois foi convocada pelo novo Sindicato independente STOP.

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