E agora, o que fazemos?…

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Depois da manifestação que no passado sábado, em condições adversas, conseguiu reunir em protesto 50 mil professores, e da sessão par(a)lamentar de quarta-feira, na qual o ministro da Educação se refugiou em vacuidades para nada responder em concreto às reivindicações justas da classe docente, o que fazer para dar continuidade à luta dos professores?

A Fenprof e os demais sindicatos parecem apostar num optimismo moderado, afirmando uma esperança que, podendo ser a última coisa a morrer, me parece nesta altura do campeonato bastante irrealista…

Se no próximo dia 4 de junho, nas reuniões que se realizarão com as organizações sindicais (FENPROF reunirá às 9:30 horas), for isto que o Ministro da Educação, em representação do Governo, tem para dizer aos professores, então, pode crer, vai ter os professores à perna. É que não se admite, é mesmo intolerável este desrespeito pelos professores traduzido em ausência de medidas que sejam soluções para os seus problemas

A FENPROF e os professores esperam que o Governo tenha compreendido o significado da Manifestação do passado dia 19 e que as posições de hoje do Ministro da Educação resultem, apenas, da falta de tempo para elaborar novas posições ou que, afirmando-se tão respeitador da negociação com os sindicatos, o Ministro tenha optado por as apresentar no próximo dia 4. É que, a não ser assim, a luta dos professores irá prosseguir e ainda mais forte. 

Evidentemente, gostaria de estar enganado, e terei todo o gosto em poder comentar, por aqui, os importantes avanços negociais das reuniões que se irão realizar daqui a dez dias, se eles porventura se concretizarem.

Mas obviamente não creio nisso, tal como não acreditarão os líderes sindicais que simulam uma esperança e um optimismo irrealistas. O que vemos é um receio claro em avançar para já com formas de luta mais musculadas e arriscadas. E uma cedência à velha estratégia ministerial de convocar reuniões para o final do ano lectivo, quando não sobra já tempo útil para mobilizar os professores para greves, manifestações ou outros protestos.

Contudo, se a estratégia sindical continua a ser adiar a resolução dos problemas, contrariando o slogan que nos dizia ser 2017/18 o tempo certo para os resolver, então ganha inevitável protagonismo uma iniciativa de que a generalidade dos sindicatos se demarcou: a ILC para a recuperação do tempo de serviço.

Na verdade, os professores portugueses já não acreditam neste ministro nem no interesse deste governo em melhorar significativamente a situação profissional dos docentes. Pelo que, tal como sucedeu noutras ocasiões, fará sentido recorrer directamente ao Parlamento para que aprove a contagem de tempo que o Governo se recusa a recuperar. E responsabilizando politicamente os deputados e as bancadas que não quiserem reconhecer este direito dos professores.

A ILC poderá ser, como sugere a Fenprof, uma jogada de risco, mas tem a indiscutível vantagem de forçar os partidos a clarificarem as suas posições. Uma exigência de um número cada vez maior de professores, cada vez mais fartos deste jogo de sombras e de enganos com que, pelo terceiro ano, os tentam iludir.

Já perto de 13 mil cidadãos subscreveram a iniciativa. Faltam, por isso, 7 mil para que se reúna o número de subscritores necessário à discussão obrigatória no Parlamento. Assim, depois da participação na manifestação, a assinatura da ILC, para os que ainda o não fizeram, e convencer outros a assinar, será o próximo, o mais lógico e o mais importante passo a dar, em defesa da carreira dos professores. Instruções aqui.

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