O falso dilema

antonio-costa.jpg“É mais importante contratar mais funcionários públicos do que aumentar os salários”

O dilema do primeiro-ministro foi enunciado na grande entrevista publicada pelo DN no passado fim-de-semana: aumentar os salários dos trabalhadores do Estado que viram os seus rendimentos minguados devido à crise e aos cortes salariais ao mesmo tempo que as progressões eram congeladas? Ou aproveitar a folga financeira para contratar mais profissionais, reforçando os serviços notoriamente desfalcados e aliviando a carga de trabalho sentida pelos funcionários no activo?

Mas este é, em grande medida, um falso dilema. Por exemplo, há uma semana atrás não houve dificuldade, no despacho governamental de nomeação de alguns responsáveis do Banco de Portugal, em passar por cima do constrangimento apontado por António Costa: não só fizeram novas contratações como aumentaram para quase o dobro o salário correspondente ao exercício dos cargos. Aos novos que chegaram e a quem já lá estava.

Os três membros do recém-nomeado conselho de auditoria do Banco de Portugal terão direito a uma remuneração que é quase o dobro da que era atribuída a estes lugares no tempo de Maria Luís Albuquerque, como ministra das Finanças. Segundo o que resulta do despacho de nomeação publicado esta sexta-feira, a remuneração do novo presidente será de 2.821,14 euros por mês, quando no mandato anterior se ficava pelos 1.602,37 euros.

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3 thoughts on “O falso dilema

    • Pois, este tipo de comparações podem sempre ser acusadas de populistas.

      Mas a verdade é que elas nos ajudam a compreender o mundo em que vivemos e o futuro que nos querem construir. Senão repare-se na justificação que deram para aumentar estes senhores: queriam que os seus vencimentos estivessem alinhados com os praticados, em idênticas funções, noutros supervisores.

      Ou seja, perante a óbvia discrepância, aqui o raciocínio foi: vamos nivelá-los todos. Por cima, claro.

      Note-se que nem estamos a falar do emprego destes senhores. Isto é o que lhes pagam por um mero part-time, pois todos continuarão a dar as suas aulas, a gerir as suas empresas ou a fazer as suas auditorias noutros lados.

      Já quando se fala em direitos dos trabalhadores ou rendimentos do trabalho diferenciados, aí por vezes também se fala em “nivelar”. Só que nestes casos o nivelamento é sempre feito por baixo.

      Verdade, ou mera demagogia?…

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