Sucata tecnológica

jn-capa

O material informático das escolas não é reforçado, nem atualizado, desde o Plano Tecnológico de José Sócrates, há quase dez anos.

O novo “Perfil do aluno” que deve orientar o sistema de ensino pressupõe a aprendizagem de múltiplas literacias e competências tecnológicas, mas a esmagadora maioria dos agrupamentos têm computadores “obsoletos” e uma fraca rede de Internet que está sempre a cair.

Há pelo menos um legado positivo que ficou, nas escolas, do primeiro governo de Sócrates e da sua detestada ministra Lurdes Rodrigues: os computadores, projectores, quadros interactivos e redes sem fios com que todas foram equipadas. Este investimento torna-se ainda mais assinalável quando damos conta de que, de então para cá, praticamente nada se gastou na modernização, em muitos casos na simples manutenção, do material que então foi instalado e que, passados quase dez anos, acusa o implacável peso da idade e do uso intensivo.

É verdade que, se muitos equipamentos permanecem funcionais, o bom senso recomenda a sua substituição gradual, até para evitar investimentos mais pesados no futuro. Sobretudo, não faz sentido proclamar as virtudes da tecnologia educativa e das “competências tecnológicas” e ao mesmo tempo colocar a zero a rubrica que, nos orçamentos escolares, permite a aquisição de material informático. Nem continuar a adiar a remodelação indispensável das redes wireless das escolas que, com a generalização do uso de smartphones pelos alunos, há muito deixou de dar resposta adequada ao volume de solicitações.

A situação, que o JN trouxe hoje à primeira página da sua edição impressa, é bem conhecida de quem trabalha diariamente nas escolas e vai lidando com a degradação lenta do material. E se nalguns lados ainda se vai conseguindo, por portas travessas e com muito esforço, ir mantendo a maioria dos equipamentos a funcionar, a nível global, a realidade é o oposto do que nos querem vender como escola para o século XXI: haverá hoje menos computadores em funcionamento do que existiam há meia dúzia de anos atrás. Em contrapartida, as arrecadações de material estão cada vez mais atulhadas de sucata informática.

O problema não dá para remeter, como tantos outros, para a “autonomia das escolas”: é uma questão nacional, põe em causa o direito à educação e exige o assumir de responsabilidades, ao mais alto nível, do Ministério da Educação.

One thought on “Sucata tecnológica

  1. Há quem leve o seu pp laptop, as colunas de som, os cabos e até o projector……..

    Quando, pela sei lá quanta vez, informei as “altas instâncias” da escola sobre os problemas referidos no texto, aconselharam-me a levar o meu portátil. E a resposta saiu, delicadamente e em tom delicodoce: ” E os operários da construção civil levam a grua de casa?”

    Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.