A proposta é obviamente absurda, mas segue na linha das posições que costumam ser defendidas pelo lobby armamentista: em vez de desarmar a população civil, começando pelos desequilibrados mentais que guardam em casa verdadeiros arsenais, propõem que se distribuam ainda mais armas aos cidadãos. Aos “bons”, neste caso os professores, para que possam lutar contra os “maus”, que invadem escolas e assassinam inocentes, num ambiente digno dos velhos westerns.
Intocáveis, permanecem a expansão do negócio da venda de armas pessoais e o conveniente mito de que uma arma de assalto é um instrumento de defesa pessoal. A que qualquer cidadão deve poder aceder mesmo antes de ter idade legal para consumir bebidas alcoólicas. Num país onde continua a ser mais fácil introduzir uma arma de guerra pronta a disparar no interior de uma escola do que uma garrafa de água dentro de um avião comercial. E onde ninguém sabe quantos mais inocentes terão de morrer até que se criem condições políticas para parar estes massacres.
Comecei este post sublinhando a originalidade da proposta de Trump – nunca ninguém tinha proposto, que eu saiba, semelhante idiotice – mas há um ponto em que nada disto é original: na tendência, que tende a universalizar-se, de se achar que compete aos professores resolver problemas que só existem devido à teimosia, à incapacidade ou à cobardia de políticos (ir)responsáveis.