O JN tocou ontem num ponto sensível da não assumida reforma curricular que o governo tenta desenvolver com um conjunto de escolas e directores “amigos”: quase ninguém se atreve a experimentar a flexibilidade curricular no ensino secundário, por causa dos exames nacionais…
Há um evidente contra-senso quando se defende a ideia de que os currículos flexíveis melhoram as aprendizagens dos alunos e ao mesmo tempo se receiam os exames onde essas aprendizagens, supostamente, seriam postas à prova. Subitamente, revelam-se as fragilidades desta pequena revolução educativa que só garante resultados se estes não puderem ser objectivamente avaliados. Que é para isso que, no fundo, servem os exames: garantir que, independentemente das diferentes metodologias e estratégias pedagógicas utilizadas, há um conjunto bem definido de conhecimentos e competências que é efectivamente adquirido pelos alunos e mobilizado em novas situações – nos exames, no prosseguimento de estudos e, desejavelmente, ao longo da vida.
A curta e lacónica notícia – só temos direito a um resumo na versão online disponível gratuitamente – tem ainda uma outra afirmação reveladora: diz-nos que pais e directores desejam as mudanças que o SE João Costa pretende implementar.
Dando de barato que as associações de pais representam, nesta matéria, o verdadeiro sentir da generalidade dos encarregados de educação e que os 236 directores que meteram as suas escolas neste projecto são a voz de muitos mais que o pretenderiam fazer, continua a faltar aqui o elemento essencial de todas as reformas educativas: os professores.
Como de costume, ninguém – nem mesmo a imprensa – parece interessar-se em saber o que pensam os professores portugueses sobre uma reforma educativa que lhes está a ser imposta e que lhes exige, como já está a ser evidente nas escolas “reformistas”, uma brutal carga suplementar de trabalho sem quaisquer compensações.
Ainda assim, estes colegas que se preparem para, no final, e perante a modéstia de resultados que facilmente se adivinha, serem apontados como os culpados do costume. Vai uma aposta?…
Entretanto, alguma coisa terá de mudar nos “padronizados” exames nacionais do secundário e/ou 9º anos.
Ou será que não estou a ver bem a bota a não bater com a perdigota?
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É acabar com os exames! Já!
E tenho a certeza de que, a seguir, como professores e alunos estão desocupados, não é necessário acabar as aulas tão cedo. Assim sendo, toca de estender a coisa até, no mínimo, meados de julho.
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