Enquanto brincamos à caridadezinha…

A capa da edição de hoje do Diário de Aveiro é paradigmática do conceito de solidariedade que colectivamente vamos promovendo.

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Grandes campanhas de recolha de alimentos à porta dos hipermercados, centenas de toneladas de comida a serem armazenadas e distribuídas pelos banqueiros da generosidade alheia. O que não significa que a ajuda de que necessitam chegue mesmo aos que dela mais necessitam.

Como se combater a pobreza se resumisse a dar de comer a quem tem fome, não havendo outras necessidades básicas, e carências dramáticas, a satisfazer.

Como se os únicos que precisam e merecem ser ajudados sejam os pobrezinhos conformados e subservientes, prontos a estender a mão, atentos e agradecidos, à caridade alheia.

À medida que se institucionaliza e profissionaliza a “ajuda alimentar” e os negócios a ela adjacentes, vamo-nos esquecendo do fundamental: os baixos salários que se pagam no nosso país e que não permitem que os pobres se libertem da pobreza nem que se construa uma sociedade mais justa e onde ao trabalho e à dignidade humana seja dado o devido valor. Aí sim, seríamos verdadeiramente solidários.

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