Bullying violento na sala de aula

O bullying continua a ser um problema sério nalgumas escolas portuguesas. Desvalorizá-lo ou ignorar a sua existência não é solução. Mas também não é recomendável que um jornalismo que pretende ser sério e tantas vezes crítico do imediatismo, das falsidades e dos preconceitos que campeiam nas redes sociais, trate o tema ao sabor das denúncias e dos comentários incendiários do facebook.

bullying.jpgComo fez ontem o DN:

A mãe de uma aluna de 12 anos que frequenta a Escola EB 2,3 de Quarteira publicou nas redes sociais, na sexta-feira, dia 17 de novembro, uma fotografia que denuncia o abuso que a filha sofreu por parte de uma colega.

A mãe da criança, Sheila Correia, refere ao Correio da Manhã que já apresentou queixa e diz que esta não é a primeira vez que a filha é vítima de bullying, “A minha filha já tinha sido várias vezes ameaçada, mas na quinta-feira foi agredida em plena aula”.

Seguindo a ligação, percebe-se que a ignóbil acusação de que a professora teria tirado os óculos à aluna para que a colega lhe pudesse “bater à vontade” é desmentida pela leitura de posts e comentários subsequentes. Uma acusação grave e sem fundamento, que aliás nem faria qualquer sentido, mas à qual o DN resolveu dar eco. Ao que parece, os óculos caíram no chão e o que a professora fez foi apanhá-los para que, no meio da confusão instalada, não se partissem.

Outras apreciações acerca do que a professora em causa poderia ou não ter feito perante uma agressão violenta na sua aula estarão dependentes, naturalmente, das averiguações que venham a ser realizadas. Mas julgo que não deveria merecer dúvidas que, perante um acto desta natureza, qualquer docente procurará pelos meios ao seu alcance, pôr fim à violência o mais rapidamente que conseguir.

Continuando a leitura, que não finalizei pois os comentários vão já em várias centenas e se tornam repetitivos, apercebi-me também de que o caso não envolveu apenas as duas alunas: haveria desaguisados anteriores entre a aluna agressora e a mãe da agredida. Ou seja, como muitas vezes sucede nestes casos, os julgamentos sumários e definitivos não são recomendáveis. O que não significa que não se condene à partida, e sem reservas, toda e qualquer violência no meio escolar, sobretudo num caso em que as provas da agressão são evidentes.

Competirá agora à direcção escolar desencadear o procedimento disciplinar que, cumprindo os termos legais, deverá apurar os factos ocorridos e propor as medidas disciplinares tidas como adequadas. Sem prejuízo da participação dos factos às autoridades policiais ou judiciais, se a sua gravidade o justificar.

É necessário que quem agride, ofende e humilha os outros seja confrontado com a gravidade dos seus actos e que haja a percepção de que nenhum acto violento e ofensivo fica impune. Pois só agindo dessa forma se evita a escalada da desordem e da violência. Assim se constrói, num esforço que tem de ser feito por todos, todos os dias, uma escola segura, pacífica e tolerante com as diferenças.

4 thoughts on “Bullying violento na sala de aula

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