Combater o bullying

no-bullyingAssinalou-se ontem o Dia Mundial de Combate ao Bullying, o que serviu de pretexto para as habituais peças jornalísticas sobre um tema que não deve nunca cair no esquecimento. Porque falar do bullying nas suas diversas formas é o ponto de partida para envolver as comunidades escolares e as famílias na sua erradicação. Mas no Brasil a efeméride ficou marcada da pior forma possível.

Dois mortos e quatro feridos é para já o balanço do ataque realizado por um rapaz de 14 anos num colégio particular de Goiânia, a capital estadual mais próxima da capital nacional, Brasília.

Segundo as primeiras informações, o rapaz que atirou sobre os colegas, todos no oitavo ano de escolaridade, era vítima de bullying.

De acordo com testemunhas, os colegas diziam que ele cheirava mal e hoje, um deles, uma das vítimas mortais, terá levado um desodorizante para a escola. O atirador usou então uma arma para o matar na hora, a ele e a um colega, e para deixar feridos os outros quatro jovens.

O atirador é filho de um major e de uma sargento da polícia militar. Ainda não foi confirmado pela polícia militar mas ao que tudo indica a arma usada no crime pertencia a um dos pais do adolescente.

Na verdade, o bullying caracteriza-se pelo sofrimento físico e moral que recai, de forma continuada, sobre as vítimas. E por isso, e também por ser muitas vezes vivido em silêncio pela vítima, pode ser extremamente traumatizante e deixar sequelas psicológicas severas nas crianças e jovens que são vítimas da violência dos seus pares. Também pode, nos casos mais graves, originar mortes: o suicídio da vítima ou, menos frequente mas não menos trágico, a vingança fatal contra o agressor.

Por cá, as ocorrências de bullying estão a aumentar, o que não significa necessariamente que seja hoje mais frequente do que há uma ou duas gerações atrás. De facto, a percepção que tenho é de que até haverá menos casos. O que sucede é que as pessoas estão mais atentas ao fenómeno e identificam e denunciam mais facilmente as situações.

O número de ocorrências associadas ao bullying está ao aumentar, nomeadamente dentro do espaço escolar. No ano de 2015/16 foram contabilizadas 4102 ocorrências, enquanto que no ano anterior foram registados 3930 casos, noticia o Jornal de Notícias. Os números relativos a 2015/16 são da Polícia de Segurança Pública (PSP), que atualmente chega a um milhão de alunos.

No dia em que se assinala o Dia Mundial de Combate ao Bullying, polícias e dirigentes escolares apontam que a existência de mais vigilância e maior intervenção logo ao primeiro indício permite o conhecimento de mais casos.

As estatísticas demonstram um agravamento das ocorrências dentro do recinto escolar: em 2014/15 do total de ocorrências, 2799 foram no interior; no ano passado foram já 2849. Das 4102 ocorrências registadas no ano anterior, 1350 referem-se a “ofensas à integridade física”: em 2014/15, 945 foram no dentro da escola, enquanto que em 2015/16, o número de casos no interior subiu para 957.

A aumentar estará seguramente o ciberbullying, que recorre à omnipresença das novas tecnologias para fazer chegar junto das vítimas as mensagens de ódio, as humilhações, a chantagem e o medo. Tudo para as controlar e condicionar, porque o bullying é isso mesmo: uma forma de dominar e controlar outra pessoa. E os miúdos ouvidos para a reportagem do DN sobre o tema, ontem publicada, percebem-no bem.

“É quando as pessoas más fazem que as boas fiquem tristes. É quando gozam, chateiam.” É esta resposta pronta de Isis Gomes, de 9 anos, à pergunta “o que é o bullying”.

Em casa de Sofia Coutinho, de 10 anos, fala-se muitas vezes sobre esta problemática: “Quando a minha mãe andava na escola, gozavam com ela a toda a hora, porque era gordinha.” Diz-nos que o bullying “é quando as pessoas dizem mentiras, gozam, batem e ofendem os outros”.

Rafael Nogueira também tem algumas palavras a dizer: “O bullying é quando uma pessoa bate nos outro, chateia, goza. Já me aconteceu e eu disse às funcionárias”, confidencia o rapaz de olhos verdes e cabelo claro. “Podias ter-te defendido. Andas no judo para isso”, responde o amigo Diogo Carrola, que tem uma opinião parecida sobre o que é o bullying. “É quando os mais velhos maltratam os mais novos, aleijam, gozam. Há um rapaz que faz isso com o meu irmão mais novo. Pensa que manda em toda a gente.”

Como explica Dinis Teixeira, aluno do 4.º ano, “a pessoa que faz o bullying consegue pôr outra pessoa com medo e controlá-la”.

 

 

 

2 thoughts on “Combater o bullying

  1. Um bom recurso para uma qualquer aula.
    Costumo passar este vídeo aos alunos . Os programas de Inglês estão muito bem pensados (embora esteja mais ligada aos do secundário) e abrangem temas dos mais variados. Mas pode-se utilizar o vídeo noutras ocasiões e disciplinas. O que se pode fazer a partir daqui cabe à criatividade do professor e dos alunos.

    Aqui vai:

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  2. Um outro recurso contra a violação dos direitos humanos.

    Tudo isto para dizer o quanto irrita ouvir que os professores “estagnaram”, que são professores do séc IXI e que são precisos professores do séc XXI. E também aqueles opinion makers que afirmam do alto da sua ignorância que a escola não ensina realidades importante e toca de encher o currículo com mais “cidadanias”, como se a escola pública não se tivesse alterado ……

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