Receita para o sucesso educativo

cozinhar.gifNuma escola a gosto, e depois de a terem previamente esvaziado, não de alunos, mas de professores “do século XX”, que como sabemos são irremediavelmente retrógrados, conservadores e avessos à mudança, reúnam-se, quatro dirigentes ministeriais, a saber:

  • Um da Direção-Geral da Educação (DGE), que chefiará;
  • Um da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE);
  • Um da Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP);
  • Um da Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC).

Acrescentem-se, para dar pleno cumprimento à lei, as seguintes individualidades, os senhoras e senhores professores doutores:

  • Ariana Cosme;
  • Isabel Valente Pires;
  • Joaquim Azevedo;
  • José Matias Alves;
  • José Verdasca;
  • Rui Trindade;
  • Ricardo Rodrigues.

Misture-se bem, e quando estiverem bem entrosados mandem-nos refazer o currículo, reconstruir as matrizes curriculares, programar para cada turma um plano curricular específico.

Inventem-lhes mil e uma papeletas para criarem e preencherem, ao mesmo tempo que articulam programas, transversalizam aprendizagens, diferenciam pedagogias, desenvolvem competências e resolvem dificuldades dos seus alunos.

Enfim, coloquem-se por uma vez os altos dignitários, superiormente nomeados para coordenarem, a partir dos seus confortáveis gabinetes, a experiência da flexibilidade curricular, a mostrarem-nos como se faz.

Que o mal maior do nosso sistema educativo, cada vez me convenço mais, é mesmo este: termos a mandar, a coordenar, a inventar, a decidir, pessoas que nunca deram uma aula em ambiente não universitário.

Ou que o fizeram há tantos anos, ou em condições tão especiais, que essa vaga experiência nada lhes diz do que é ensinar hoje numa escola básica ou secundária.

Há ainda aqueles a quem a experiência docente correu tão mal que fugiram da escola a sete pés. Mas não se desligaram do sector: passaram a ser teorizar e a decidir sobre a profissão que não quiseram para si próprios, tornando-se burocratas ou cientistas da Educação. Ora são estes traumatizados da sala de aula, que farão tudo o que preciso for para não terem de regressar à condição de professores básicos e secundários, os mais fiéis serventuários de todos os reformadores da Educação. São os mais hipócritas, e também os mais perigosos.

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