Organizar o ano em semestres?

directorDiretores querem escolas básicas e secundárias com dois semestres

A ideia tem vantagens e inconvenientes.

Parece agradar a muitos directores, caso contrário Filinto Lima, que dirige uma das associações que os representa, não faria a proposta com tanta insistência.

Mas se algumas vantagens, do ponto de vista organizacional, são mais ou menos óbvias, na perspectiva pedagógica, que é a que deve prevalecer, a questão é bem mais complexa.

E merece ser ponderada, mas não quando os professores estão de férias.

O que noto aqui, e sinceramente me desagrada, é o voluntarismo de Filinto Lima, e o jogo de favores que propõe ao governo: eu ofereci o meu agrupamento para experimentar a vossa flexibilidade curricular, dêem-me agora vocês a oportunidade de organizar os períodos lectivos, na minha escola, da maneira que eu quero.

E que tal – que ideia tão estranha, nos tempos que correm! – discutirem primeiro o assunto com todos os professores?

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4 thoughts on “Organizar o ano em semestres?

  1. “Parece agradar a muitos directores, caso contrário Filinto Lima, que dirige uma das associações que os representa, não faria a proposta com tanta insistência.”
    – Não sei a muitos, a poucos ou só a alguns… o que hoje se constata, com alguma facilidade, é a utilização de posições para fazer valer opiniões pessoais ou de determinadas correntes…

    Quando leio coisas como estas fico a pensar que está tudo muito bem na educação e nas escolas – é o reino dos céus- e que será, porventura, chegada a altura de proceder a um experimentalismo… que maçada… 1 mês, 2, 3 ou 6 sem mudar nada???
    Estes agrupamentos deverão ser, quiçá, ser verdadeiros paraísos sobre a terra… quando estas são as prioridades…

    Pedagogicamente, “mudar por mudar” considero um erro…
    Quando se pressupõe uma avaliação contínua das aprendizagens (a questão da avaliação dos processos com eventuais redefinições/ reformulações só faz sentido se a avaliação dos seus resultados – aprendizagens – não for satisfatória) e, então, com base nos seus resultados, definir/reformular estratégias com vista à supressão de obstáculos/ dificuldades e resultados menos positivos… reduzir momentos formais de avaliação (o “verdadeiro” feedback aos alunos e pais da situação do seu educando perante as aprendizagens que deveriam ter sido realizadas num determinado espaço temporal), reduzirá probabilidades de recuperação…
    Diz-me a minha experiência, que no 2º período (por variadas razões) os resultados globais tendem a piorar e que no 3º (apesar do evidente e compreensível cansaço por outras razões que não a existência de 3 períodos formais de avaliação) muitos alunos fazem esforço para recuperar… )… como diria o sr director: um aluno que no 1ºP teve “negativa”, no 2º voltou a ter… já não tem motivação para tentar melhorar no 3ºP – Bem… com a proposta do sr director (2 momentos de avaliação) digo eu que nem vale a pena pensar em motivação… pois que no final do 2º momento, já “quinou”… a não ser que…a pressão para o sucesso é grande… Obviamente, que me diriam que toda a questão da avaliação (entre outras) teria que ser reformulada… pois … novamente, e mais outra e mais outra vez… tantas vezes quantas alguém tiver mais uma nova fé… todos criticam as mantas de retalhos, mas há aqueles que não resistem a umas tesouradas numa ponta e novos acrescentos noutra qualquer…

    Ora, exigir escolas com turno único, em que as aulas decorram preferencial e maioritariamente durante a manhã e durante a tarde os alunos teriam apoios, tutorias, salas de estudo, projectos, clubes, actividades desportivas, … enfim uma diversificada oferta extracurricular… e possam ir cedo para suas casas com tempos para estudar, para desanuviar e para estar com a família… isto é bem mais difícil de exigir! – Acredito que os resultados melhorariam substancialmente e sem meios artificiais (e desonestos: enquanto princípio e para os próprios alunos e pais) a que hoje se assiste!

    Acreditar que a burocracia se reduziria revela uma incapacidade (ou pouca memória) para avaliar as mudanças recentes (não é preciso recuar muito no tempo) e aquelas que se perspectivam… Num país (que não só na escola) onde quantidade de papel, a extensão das frases/textos “verborreicos” e pretensiosos e as muitas folhinhas excel constituem a medida do trabalho, acreditar na redução da burocracia… das duas uma: ou se é “tanso” ou … e, por aqui me fico.

    Nos restantes sectores: justiça, segurança social, segurança interna, saúde, fiscalidade, …, toda a sociedade clama por estabilidade… vá-se lá entender que na educação a estabilidade seja vista como imobilismo e resistência à mudança… – não há paciência.

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    • 1- “…reduzir momentos formais de avaliação (o “verdadeiro” feedback aos alunos e pais da situação do seu educando perante as aprendizagens que deveriam ter sido realizadas num determinado espaço temporal), reduzirá probabilidades de recuperação…”
      Poderá não reduzir essas probabilidades, precisamente pelo que afirma- pretende-se uma avaliação contínua e formativa que dará o tal feedback a alunos, professores e famílias.

      O que acontece no presente é que começam as actividades lectivas, um mês depois há intercalares, 1 mês depois há avaliação formal do 2º período; no 2º P acontece o mesmo e no 3º P acontecem exames, provas de aferição e a continuação de aulas e actividades lectivas, num espaço de tempo de vivência ainda mais acelerada nas escolas do que nos períodos anteriores.
      Tudo isto acarreta burocracia, grelhas, relatórios , reuniões de CTs e EES a rodos que não dão estabilidade a ninguém- professores e alunos.

      2-“…escolas com turno único, em que as aulas decorram preferencial e maioritariamente durante a manhã e durante a tarde os alunos teriam apoios, tutorias, salas de estudo, projectos, clubes, actividades desportivas, (…) Acredito que os resultados melhorariam substancialmente e sem meios artificiais …”

      Totalmente de acordo.

      Resumindo a minha opinião, “mudar por mudar” é erro, mas há muito a mudar e que pode não ser errado. E o que defendo é que há que agilizar e reitrar, isto já era para ontem, toda a entropia do sistema de avaliação. E a avaliação formal por semestres pode ajudar.

      Desde que não a “encham” de mais burocracia.

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      • “reitrar”- 1 erro, mas que agora não consigo emendar. Não queria usar “simplificar” que tem 1 conotação muito negativa hoje em dia, tal a mistificação dada ao termo…..

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