Pobres e mal agradecidos

train[1]Já em tempos contei aqui esta história, pelo que a resumo agora ao essencial.

Era uma vez uma fiada de vilas e aldeias, ligadas à cidade grande por uma linha de caminho de ferro. Mas, ao fim de cem anos, o serviço precisava de ser melhorado: era lento, a linha precisava de obras, as velhas automotoras tinham de ser substituídas.

Foi então que o PS, no governo, apareceu com uma grande ideia: em vez de se gastar tanto dinheiro numa velha ferrovia que no fim continuaria a não passar disso mesmo, porque não pensar em grande e criar algo muito melhor e completamente novo – um metropolitano, como têm as grandes cidades!

As pessoas acharam a ideia estranha: uma linha de metro, a atravessar aldeias, serras e campos cultivados? Afinal de contas, elas apenas queriam um comboio eléctrico, mais seguro, rápido e confortável. Mas como o governo dava todas as garantias de que a obra, a pensar no século XXI, era mesmo para fazer, lá assistiram desconfiadas à retirada das automotoras e dos carris para construir o novo metro. E o serviço ferroviário foi substituído provisoriamente por autocarros, mais lentos e desconfortáveis.

Até hoje. Pois com o advento da crise a obra não foi concluída: não repuseram os carris e os utilizadores da antiga linha ferroviária não têm hoje, nem o comboio que lhes retiraram, nem o metro que lhes prometeram. Entretanto, o projecto deu muito dinheiro a ganhar a alguns políticos locais, que se auto-nomearam administradores da nova empresa, e aos seus amigos, conterrâneos e correligionários políticos a quem adjudicaram os estudos, os projectos e as empreitadas.

Porque é que voltei hoje a esta triste história? Porque é que a insistente propaganda e o discurso manhoso em torno das flexibilidades curriculares e da escola do século XXI me recorda a forma como foram tratadas as populações servidas pela Linha da Lousã? Porque ela é, infelizmente, paradigmática de um certo PS instalado no poder, que insiste em dar às pessoas o que elas não lhe pediram, nem querem. Que quer decidir a nossa vida e o nosso futuro e espera eterna gratidão mesmo quando o faz contra a nossa vontade.

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