Descoberta a autora da fraude no exame de Português

segredo.jpgUma professora de uma escola pública da Grande Lisboa que está envolvida na preparação dos exames nacionais foi identificada pelas autoridades como sendo a responsável pela fuga de informação relativa à prova de Português.

Segundo o Expresso, a docente dá explicações a alunos do ensino secundário e terá sido durante uma dessas aulas particulares que terá comentado informações relativas ao exame. Na sequência da fuga, uma aluna divulgou uma mensagem áudio na rede social WhatsApp em que descrevia as informações que uma amiga tinha acabado de receber.

De acordo com o mesmo jornal, não será a primeira vez que esta professora está envolvida numa questão destas. A docente faz parte há vários anos do grupo que prepara a prova de Português e, em anos anteriores, houve suspeitas não concretizadas que a explicadora tinha fornecido informações secretas aos alunos.

Ressalvando que se trata, para já, apenas de suspeitas, elas confirmam no entanto o que há muito tempo se vem notando: o secretismo e a falta de transparência na constituição das equipas que fazem as provas de exame, e o facto de não serem adequadamente salvaguardadas as incompatibilidades óbvias, como a de acumular estas funções com explicações particulares, potenciam fraudes e favorecimentos que provavelmente não apareceram só agora, mas que se tornam mais difíceis de esconder com o advento e a omnipresença das redes sociais.

Nem sindicalista, nem professora dos Salesianos: a professora suspeita de ter divulgado o teor da prova aos seus explicandos fazia parte da que equipa escolhida pelo IAVE para a sua elaboração. E continuava nessas funções apesar de, segundo o que agora é divulgado, já noutros anos se ter suspeitado de que não guardava segredo acerca do que iria sair nos exames.

E sem querer duvidar do empenho dos responsáveis ministeriais e judiciais no apuramento de toda a verdade, há que reconhecer que, não fosse a projecção pública e mediática que o caso teve, a tentação de o abafar seria mais do que óbvia. Mas fez-se o que era devido e, chegados a este ponto, resta apenas esperar que a investigação se conclua e o processo prossiga até às suas últimas consequências.

Apurar toda a verdade sobre esta fuga de informação, sabendo-se quem a executou e quem dela beneficiou, extraindo do sucedido todas as consequências legais e penais, é imperativo, não só para salvaguardar a imagem de credibilidade e rigor dos exames nacionais, mas sobretudo para defender a dignidade profissional de milhares de professores envolvidos, todos os anos, na elaboração, vigilância e classificação dos exames nacionais.

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