Segurança informática e gestão escolar

secretaria.gifTambém a mim incomoda que o Ministério de Educação, que investe em dezenas de plataformas destinadas a controlar à distância as escolas e o trabalho dos directores, nunca se tenha preocupado seriamente com a informatização da gestão escolar, preferindo deixar às escolas a responsabilidade de escolherem, no mercado dos programas informáticos, as soluções que considerarem melhores para gerir, quer a parte administrativa e financeira dos agrupamentos, quer as turmas e os alunos: matrículas, faltas, avaliações.

O problema é que muitas das empresas que oferecem produtos e serviços nesta área nem sempre estão à altura das responsabilidades que assumem. A concorrência faz com que surjam a bom ritmo novos programas e funcionalidades, nem sempre bem concebidos e suficientemente testados. E nem o preço elevado cobrado às escolas as impede de receber software recheado de bugs ou que simplesmente não faz aquilo que promete nem cumpre os procedimentos legalmente exigíveis, para já não falar do apoio técnico que em muitos casos é de péssima qualidade ou quase inexistente.

A moda recente das clouds traz problemas de segurança acrescidos. Colocar as bases de dados nos servidores das empresas informáticas resolve alguns problemas, como a complicação que era, por exemplo, trabalhar a partir de outra escola do agrupamento no programa de alunos instalado na escola-sede. Permite trabalhar ou consultar o programa de gestão escolar a partir de casa. Contudo, esta facilidade implica que, em contrapartida, toda a informação sensível dos alunos – dados pessoais e familiares, assiduidade, avaliações – fique alojada em servidores que são propriedade das empresas privadas que fornecem os programas. Duvido muito que isto, da forma como ad hoc está a ser feito, dê as necessárias garantias de confidencialidade e tenha o adequado enquadramento legal.

Alheio a estes problemas, o ME parece entender-se bem com esta solução pouco eficiente e dispendiosa de ter cada escola ou agrupamento a comprar o seu próprio programa informático. Apenas impõe que, no caso dos alunos, todos sejam capazes de exportar, em formato normalizado, os dados com que é regularmente alimentada a MISI, a super-base de dados do ME onde está quase tudo o que se pode saber acerca de cada um dos nossos alunos.

A boa solução passaria, como me parece evidente, por desenvolver uma solução informática única para todo o sistema educativo público, a funcionar articuladamente com os sistemas do ministério e a ser distribuída gratuitamente por todas escolas. Entre técnicos e professores de informática, não faltará nos quadros do ministério gente com formação e capacidade para o fazer. As escolas seguramente acolheriam a iniciativa de braços abertos. E o programa Simplex+ contém uma medida – SmartEDU – que parece ir neste sentido. Demorará muito?

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2 thoughts on “Segurança informática e gestão escolar

  1. O problema maior e mais grave é quando essas plataformas, com acesso por muita gente, se voltam contra as escolas e os diretores que, normalmente, têm que jurar por sua honra que o que estão a inserir na plataforma corresponde à verdade…… e mais tarde aparecem os erros… graves. E quem é que arca com a culpa, não a tendo na maior parte das vezes? Pois, é isso mesmo 😦

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    • Estará na altura de um “simplex” também no mundo das plataformas.
      É um exagero, não só pelo seu número excessivo, mas pela imagem que dão dos serviços do ministério, a trabalhar cada um para o seu lado na sua “plataforma”…

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