O fim dos chumbos

chumbo_2_1_1_1_1_1_1_1_1_1_1_1Será eventualmente uma realidade a curto prazo, pelo menos no ensino básico.

Há um amplo consenso nacional entre políticos, pedagogos, cientistas da educação e dirigentes educativos e encarregados de educação sobre as desvantagens educativas das retenções. E apesar da evidente falta de coragem política em decretar o seu fim as pressões cada vez mais insidiosas sobre os professores para que passem todos os alunos, que já são grandes, tenderão a aumentar.

Na verdade, os professores “no terreno”, ou seja, aqueles que dão aulas, que estão todos os dias nas escolas e contactam com alunos de carne e osso, são nisto tudo os mais reticentes em relação à política do sucesso a qualquer preço. Pois sabem que já hoje muitos alunos passam de ano sem terem os conhecimentos ou dominarem as competências necessárias para serem bem sucedidos no ano seguinte. Têm consciência de que a transição de ano acaba por ser uma espécie de presente envenenado para alguns alunos, pois lhes transmite a noção errada de que não precisam de estudar, de trabalhar, de tentar ser bons naquilo que fazem. Pois, façam o que fizerem, passam na mesma.

Há um novo paradigma educativo em marcha acelerada, ao qual os professores não poderão fazer frente, sob pena de estarem a “prejudicar” os alunos. E não é tão novo assim, o dito paradigma, reconheça-se, pois há décadas que ouvimos falar do “direito ao sucesso”, nunca se tinham era imposto com tanta força. Mas já se sabe: se não podes vencê-los, junta-te a eles.

Fiquemos então, nesta adaptação algo forçada aos novos ventos educativos, com os conselhos pragmáticos do blogger anónimo dos sete pecados (i)mortais:

[…] os professores vão ter que se habituar a não chumbar. Pelo menos até ao 9.º ano. 

Sim, vão ter que largar esse último bastião de poder. É bom que se convençam disso rapidamente, para sofrer o mínimo possível com a transformação de paradigma que já ocorre na Escola portuguesa.

Concentremo-nos em ensinar o melhor possível, a todo o tipo de aluno (e não apenas aqueles que têm mais dificuldades), sendo rigorosos, atenciosos, objetivos. Deixemos de lado qualquer preocupação com a aprovação e retenção dos alunos porque isso já não no diz respeito. 

Assumamos a política de aprovação/retenção que o Diretor quer implementar e seremos muito mais felizes. Pelo caminho até pode acontecer que algum Diretor nos peça que algum aluno fique retido, pois será preciso credibilizar a Escola, não vão os pais pensar que na Escola do Diretor X todos os alunos passam, mas pouca gente sabe alguma coisa.

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One thought on “O fim dos chumbos

  1. “Há um amplo consenso nacional entre políticos, pedagogos, cientistas da educação e dirigentes educativos e encarregados de educação sobre as desvantagens educativas das retenções. ”

    Punha-os a todos a darem aulas durante três anos, com horário, alunos/ níveis e turmas e salários como têm o comum dos professores – depois conversávamos!

    Tenho um carro que consome demais, está velhote, polui… pelos vistos, posso resolver tudo num ápice … e eu, a pensar que seria uma dor de cabeça… qual acumular de poupanças… qual estipular de prioridades, basta trocá-lo por um lamborghini com o dinheiro dos outros – sou mesmo um máximo… uma sapiência… um acumulado de doutorice, o topo dos cientistas da educação, que encarregado de educação sempre fui! A minha memória perdurará… quanto mais não seja nos bolsos dos outros e na incompetência que grassará pelo país (desta parte, pelo menos, não haverá memória).

    Já agora… não é necessário grande memória… início dos anos 90… com 5, 6, 7, 8 negativas os jovenzinhos passavam todos…

    Nestas matérias não creio que a decisão seja da competência desses tais iluminados nem do ME… deve ser do país que, já hoje, não pára de clamar por responsabilidades/ culpas/ competência e cadeia para tanto energúmeno que nos desgoverna… pois tudo isto se paga muito caro… e quem paga ou pagará serão todos os contribuintes…directa e indirectamente (é que a incompetência tem custos dilatados no tempo… custos demasiado elevados) – que raio de sociedade estamos dispostos a ter?

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