Estatísticas da Educação 2015/16

A DGEEC acaba de publicar as estatísticas da Educação referentes ao ano lectivo de 2015/16. O documento principal é um longo e algo indigesto conjunto de dados estatísticos em bruto, cerca de 300 páginas de números e tabelas com informação extensa mas pouco diversificada e com escassas possibilidades de cruzar dados e explorar novos caminhos para além dos que têm sido habituais na análise estatística da Educação portuguesa.

Mais interessantes acabam por ser, tanto a síntese dos resultados referentes ao ensino não superior como a folha Excel com a evolução do sucesso escolar desde o ano lectivo de 2000/01. Foi neste último documento que me baseei para construir os gráficos que apresento a seguir.

A primeira figura regista a evolução das taxas de transição (percentagem de alunos que transita ou conclui o respectivo ano de escolaridade) nos três ciclos do ensino básico e no ensino secundário. Nota-se claramente a diminuição lenta, mas consistente, das retenções ao longo do período analisado, com algumas nuances:

  • o aumento do insucesso de ciclo para ciclo, como tendência constante;
  • a significativa melhoria no ensino secundário entre 2000 e 2008;
  • a regressão na tendência de aumento do sucesso escolar no ensino básico entre 2011 e 2015, anos correspondentes ao ministério de Nuno Crato e às medidas então tomadas (exames no 4º e 6º anos, mexidas nos programas, metas curriculares);
  • uma ligeira melhoria dos resultados escolares no ano lectivo anterior, comparativamente a 2014/15.

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Vejamos de seguida com mais detalhe a evolução no secundário, desdobrando-o nos seus dois subsistemas principais, os cursos científico-tecnológicos, mais vocacionados para o prosseguimento de estudos, e os cursos profissionais, que conferem, além da habilitação académica, também uma certificação profissional:

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Os cursos tecnológicos e profissionais começaram por ser uma solução de recurso para alunos desmotivados e mal sucedidos no ensino regular, registando de início altas taxas de insucesso e abandono. Contudo a situação foi-se invertendo gradualmente e hoje é nos cursos científico-humanísticos que existe mais insucesso.

Finalmente, analisando os resultados escolares por ano de escolaridade, e considerando agora apenas o ano lectivo 2015/16, nota-se que persiste a tendência que se tem revelado nos últimos anos de maior incidência das retenções nos anos iniciais de ciclo, o que sucede notoriamente no 7º e no 10º ano. No 1º ciclo, a inexistência de retenções no 1º ano faz com que elas se acumulem no 2º ano, a maior parte delas de miúdos que não tiveram aproveitamento no 1º ano nem conseguiram recuperar no ano seguinte. Curiosamente, o 5º ano, onde há três ou quatro anos atrás também havia um aumento do insucesso, regista agora uma taxa de transição idêntica à que se verifica no 6º ano.

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Um caso à parte parece ser o 12º ano: provavelmente pelas disciplinas que já têm atrasadas ou pela dificuldade acrescida dos exames nacionais, quase 30% dos alunos não consegue concluir à primeira o 12º ano.

Será a antevisão do que teremos daqui a uns anos no básico, quando passar toda a gente até ao 9º ano, e aqui esbarrarem nos parâmetros de exigência impostos pela avaliação externa?

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