Serviços mínimos, prepotência máxima

directorEra perfeitamente escusada a atitude de alguns directores que, em flagrante atropelo à lei da greve, ao acórdão do colégio arbitral que definiu os serviços mínimos da greve de ontem e às próprias orientações do ministério, decidiram, de forma ilegal e prepotente, convocar todos os professores para o serviço de exames. Como este:

Em Lisboa, no agrupamento de escolas de Benfica, o director Manuel Esperança admitiu, em declarações à Lusa, que não cumpriu o estipulado no acórdão dos serviços mínimos, tendo convocado todos os professores do agrupamento (214), quando os necessários eram 73.

Bem pode Filinto Lima, da ANDAEP, tentar desculpar os seus pares com justificações ridículas em torno de lapsos e esquecimentos, que todos percebemos bem porque é que o fizeram:

  • Não gostam de greves;
  • Sentem necessidade, em momentos-chave, de mostrar quem manda;
  • Sabem que infringiram a lei mas não lhes vai acontecer nada.

O último ponto é o único verdadeiramente importante.

Os directores estão sujeitos, no seu dia-a-dia, a milhentas tarefas das quais prestam contas aos serviços ministeriais. Sabem que a qualquer momento lhes pode entrar pela escola uma equipa da IGEC para ver as contas, actas, regulamentos, regimentos ou o que mais lhe apetecer. Que por causa do incumprimento de um certo formalismo previsto numa qualquer alínea de um obscuro despacho governamental podem ser sujeitos a processo disciplinar ou até, nalguns casos, a pagar do seu bolso alguma verba que tenha sido gasta indevidamente.

No entanto, as entidades que esquadrinham com todo o rigor os procedimentos administrativos, fazem geralmente vista grossa aos atropelos dos direitos constitucionais dos cidadãos e dos trabalhadores.

Bem pode Mário Nogueira ameaçar com queixas e denúncias todos os directores golpistas e prepotentes: eles sabem bem que estes actos de afirmação de poder e de pequena e média humilhação dos professores fazem parte das suas competências. Que não estão escritas, mas são inerentes ao actual modelo concentracionário de gestão escolar.

Anúncios

One thought on “Serviços mínimos, prepotência máxima

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s