O incêndio de Pedrógão e a pergunta que se impõe

incendio.JPGO Público faz a sua habitual mega-reportagem em torno dos exames nacionais, que desta vez inclui, além dos habituais conselhos e textos de auto-ajuda, uma entrevista ao próprio ministro sobre tão momentoso assunto da actualidade educativa. E Tiago Brandão Rodrigues não se faz rogado:

Tenho apenas uma palavra a dizer aos alunos que terão exames: tranquilidade. A tranquilidade de saber que o seu trabalho empenhado ao longo do ano tem agora mais um momento em que emerge. A tranquilidade de saber que os exames versam sobre o que já aprenderam e não sobre o que está por ensinar, pelo que a grande preparação é resultado do trabalho feito ao longo do ano.

Palavras sensatas: os exames são apenas mais um instrumento de avaliação, com virtualidades mas também com limitações. E tão errado é desprezá-los ou diabolizá-los como fazer deles o corolário ou o supra-sumo do processo de ensino-aprendizagem.

Mas a questão que gostaria de ver hoje colocada aos responsáveis do ministério, depois de ter tomado conhecimento de toda a dimensão da tragédia provocada pelo incêndio de Pedrógão Grande – os 58 mortos confirmados, mais de 50 feridos, famílias destroçadas, haveres destruídos, populações extenuadas – é esta:

O que está previsto em relação aos estudantes daquela zona que amanhã terão de fazer provas de exame?

Já alguém tratou de averiguar se estes alunos, mesmo os que escaparam fisicamente ilesos às chamas, terão as condições anímicas necessárias para o que lhes irá ser exigido?

Ou segue-se a lógica fria da lei, invocando as “necessidades sociais impreteríveis” das provas que “têm de se realizar na mesma data em todo o território nacional”?…

Adenda: foi confirmado pelo próprio primeiro-ministro que amanhã não haverá exames em Pedrógão Grande, sendo adiados para data mais oportuna. Concordo com a decisão tomada, mas lamento que só perante tragédias desta dimensão se perceba o que são de facto necessidades sociais impreteríveis. E que um exame pode e deve ser adiado sempre que valores mais altos se levantam.

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