UGT dividida na greve de professores

greve-fne.pngO Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação (Sinape) anunciou nesta quarta-feira que não adere à greve que a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e a Federação Nacional da Educação (FNE) convocaram para o próximo dia 21, data em que se realizam vários exames do 11.º ano.

Também os [outros] seis sindicatos independentes de professores já anunciaram que não aderem à greve, por discordarem que esta ocorra num dia de exames nacionais.

O prejuízo causado aos alunos por uma greve de professores é uma desculpa como outra qualquer, pois por essa lógica só faríamos greves durante as férias escolares, quando não houvesse nada que “prejudicasse”…

O que estes posicionamentos tácticos divergentes dentro da mesma central sindical representam, sobretudo em sindicatos com escasso número de sócios (poucos mais serão, nalguns casos, do que os próprios dirigentes) é o posicionamento político-partidário das respectivas direcções.

Sendo a UGT um verdadeiro centrão sindicalista do regime, nela coexistem sindicatos ligados ao PSD – o caso dos sindicatos da FNE – e outros mais próximos do PS – os ditos independentes.

Se ainda estivéssemos no tempo do anterior governo, já a FNE se teria provavelmente demarcado da greve prevista para o dia 21, para não fragilizar o PSD. Mas pressentindo que apoiar a Fenprof num braço de ferro com o governo PS pode fragilizar a “geringonça” na área da Educação, a FNE mantém, até ver, o seu envolvimento.

Pela mesma razão, alguns sindicatos de professores da mesma UGT, mas que têm à sua frente gente ligada ao PS, não quererão agora dificultar a vida ao governo do seu partido.

Um dos eternos problemas do sindicalismo docente: demasiados sindicatos – e muitos que sobretudo se representam a si próprios e só ocasionalmente defendem os interesses dos professores.

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2 thoughts on “UGT dividida na greve de professores

  1. Por estes dias, vamos assistir a uma grande encenação e a chantagens várias, vindas de todos os lados, incluindo de professores. O “não se pode fazer greve num dia de exames” é o mote e pretexto sonante, embora a maioria sinta que as razões são justas.

    O Medo tolhe muitos outros. Este medo entranhado de décadas e décadas…..

    Uma classe profissional qualificada, “intelectual”(?) que tende a arranjar desculpas para afagar o seu ego. Depois volta-se aos lamentos do quotidiano e aos ais desta vida.

    Como dizia o outro, quem está, está, quem não está, paciência.

    Eu estou.

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  2. Faltou referir os “nins” desta vida que chutam para a frente, que se calam à espera da oportunidade para afirmarem o “eu não disse?”

    Prefiro, de longe, os que se afirmam na blogosfera docente. É o caso do Alexandre Henriques, no seu blogue. Porquê? Porque é honesto.

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