A prova de aferição de HGP

Sobre a prova de aferição de HGP ontem resolvida pelos alunos do 5º ano, dir-se-á genericamente o mesmo que se dizia sobre um medicamento popular noutros tempos: é como o Melhoral, não faz bem nem faz mal.

Mas basta ser proveniente do IAVE, um instituto público cujo responsável máximo não se coíbe de criticar e menorizar o trabalho dos professores sempre que acha que isso o engrandece ou enobrece a sua missão, para haver logo a curiosidade de ver, por exemplo, se as suas equipas dedicadas e especializadas na elaboração de provas cumprem escrupulosamente as recomendações que o IAVE faz aos professorzecos sobre a matéria.

De uma análise não exaustiva da prova, algumas impressões, para usar a peculiar expressão de João Costa, sobre a prova de HGP:

Todas, com excepção da última, são questões de resposta fechada, e na grande maioria escolhas múltiplas, ligações ou completamentos de espaços em que basta transcrever ou assinalar a resposta certa. Dá muito menos trabalho a classificar e obtêm-se resultados mais objectivos, o que é importante numa prova de aferição, mas parece-me que deixa de fora uma dimensão importante da avaliação escrita, que é aquela que envolve a elaboração da resposta.

A prova parece-me também demasiado extensa para os fins pretendidos. Provavelmente um formato mais curto, para 60 minutos de duração, serviria perfeitamente para os fins em vista e adequar-se-ia melhor ao nível etário e de conhecimentos dos alunos.

fig3.JPG

Do ponto de vista do rigor científico, notam-se ligeiras falhas, sobretudo ao nível da bonecada. Um mapa do Império Romano que ignora a Muralha de Adriano e coloca a Escócia dentro de um mundo a que nunca pertenceu. Ou, no cenário algo infantil da figura 3, e numa pergunta mal concebida, caçadores de mamutes coexistindo com agricultores e pastores: o anacronismo é dos pecados mais graves que se podem cometer em História, mas também facilmente evitável, se houver o devido cuidado a fazer as coisas e, naturalmente, se se dominam as matérias que se pretendem ensinar e avaliar.

Finalmente, as 16 páginas do enunciado da prova parecem-me pouco amigas do ambiente e puseram-me a pensar que, em muitas escolas deste país, um professor que fizesse testes deste tamanho esgotaria logo ali o crédito de fotocópias para o ano todo.

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