Cada vez menos alunos nos Profissionais

baker_doughPor comparação a 2014/2015, no ano lectivo passado a proporção de alunos nas vias profissionalizantes desceu de 42% para 40,3%. E antes, de 2013/2014 para 2014/2015, já tinha descido de 43% para 42%. A fasquia dos 50% nos cursos profissionais, frequente em muitos países europeus, já tinha sido apontada como uma meta pelo anterior Governo PSD/CDS.

Havendo um tão grande e evidente consenso político em torno das virtudes do ensino profissional, porque é que os alunos e as suas famílias, na hora de escolher o percurso escolar após o 9º ano, teimam em contrariar as metas de sucessivos governos que querem integrar neste subsistema metade dos alunos do secundário?

Insistir em culpar o “preconceito” em relação a um ensino “para burros” é olhar apenas uma parte do problema. Na verdade, os cursos profissionais são uma via mais acertada para o prosseguimento de estudos dos alunos que experimentaram dificuldades escolares durante o ensino básico ou se mostram avessos a um ensino demasiado académico, e é bom que esta alternativa lhes seja oferecida.

Mas há outras questões. Por exemplo, não adianta negar que, com o actual sistema de acesso ao ensino superior, os cursos científico-humanísticos preparam melhor os alunos para a superação das barreiras de acesso à entrada na universidade, sobretudo no que diz respeito aos cursos de média mais elevada. De resto, quando 50% dos filhos dos políticos e dos burocratas que dirigem o ME tiverem optado pelo ensino profissional na entrada do secundário, talvez então se possa levar mais a sério aquilo que as elites educativas recomendam para os filhos dos outros.

Para além disto, há um incentivo poderoso para promover o ensino profissional, que é o facto de ele ser maioritariamente financiado por fundos europeus. Secasse esta fonte de financiamento, e num instante veríamos desaparecer o entusiasmo por esta via formativa, a favor do ensino mais generalista, e mais barato, dos cursos científico-humanísticos.

Finalmente, quando se diz que em muitos países europeus metade dos alunos frequentam o ensino profissional, isso é apenas uma meia-verdade: na maioria dos casos, essas taxas elevadas conseguem-se com sistemas que seleccionam precocemente os alunos em função das suas capacidades académicas e empurram os menos dotados para as vias profissionalizantes, muitas vezes logo a partir do 4º ou do 6º ano. Ora isto contraria por completo a nossa tradição escolar, que vai no sentido de permitir escolhas livres aos alunos e mudanças de percurso sempre que se descobre que não se está a ir pelo melhor caminho. E assim deverá, na minha opinião, continuar a ser.

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