Há greve ou não há greve?

manif.JPGO Correio da Manhã antecipa as negociações de amanhã, entre os sindicatos de professores e o ME, e conclui: o mais certo é a greve aos exames marcados para o dia 21 de Junho não se realizar.

As principais associações sindicais de professores elegem a questão do horário de trabalho como tema prioritário para o qual exigem respostas do Ministério da Educação na reunião de amanhã, de modo a cancelarem a greve do dia 21, data em que se realizam três exames nacionais (Física e Química A, Geografia A e História da Cultura e das Artes).

“A determinação do horário de trabalho do próximo ano letivo é o aspeto mais urgente. É preciso que as componentes letiva e não letiva fiquem claramente definidas”, disse ao CM João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional de Educação. Já quanto às questões do descongelamento das carreiras, regime especial de aposentação e vinculação docente, a FNE admite que a urgência é menor: “Sobre as outras matérias é preciso que da reunião saia uma orientação sobre o sentido em que vamos.”

Mário Nogueira, secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), também considera a questão dos horários “a mais imediata, por ter impacto já em setembro”. Os outros temas “são de negociação mais longa”, diz, exigindo ao Governo compromissos.

Parece-me verosímil o cenário descrito na peça: ninguém estará à espera de decisões imediatas sobre descongelamentos, progressões e aposentações, matérias que em grande medida transcendem a capacidade negocial do ME, porque têm impacto em toda a administração do Estado e, sobretudo, nas finanças públicas. Já as matérias relacionadas com o lançamento do próximo ano lectivo e que deverão ter impacto favorável na organização dos horários e distribuição de serviço, esses são temas urgentes que devem constituir prioridade negocial, pelo que uma resposta insatisfatória às principais pretensões dos professores deve ser motivo para manter a greve já agendada.

Quanto ao resto, acho que nem as lutas de âmbito sindical podem ser feitas na base do tudo ou nada, nem os professores têm, neste momento, especial disposição ou vontade de encetar um período de greves de consequências pouco previsíveis.

Ao contrário dos que seguem o caminho, sempre popular, da diabolização fácil dos sindicatos ou dos dirigentes sindicais, não me parece que o factor determinante, na marcação de uma greve, ou até de uma manifestação destinada a ter impacto mediático, seja a vontade dos líderes ou das forças sociais ou políticas que os podem influenciar.

Pelo contrário, o que determina o êxito – que nunca é garantido! – de uma luta laboral, é acima de tudo a determinação, a vontade e o espírito de sacrifício dos que a realizam. E o sentimento dominante da grande maioria dos professores é, nestes tempos de uma geringonça que até se está a sair melhor do que as previsões iniciais, de expectativa, se calhar de muito moderado optimismo, em relação ao que novos e melhores tempos lhes possam trazer.

Estamos muito longe, felizmente, de viver problemas como os de alguns professores angolanos, com longos meses de salários em atraso, desconsiderados, demitidos sem justa causa e revoltados contra a prepotência das autoridades. Estes sim, fazem greve, e não é preciso vir nenhum sindicato convencê-los…

Professores da província angolana do Bengo iniciaram greve por tempo indeterminado

 

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