Como erradicar a pobreza?

pobres.jpgJulgava eu que passaria, em primeiro lugar, por proporcionar trabalho, com salário decente, a todas as pessoas aptas a trabalhar e a conseguir, dessa forma, as condições materiais que permitem, não só satisfazer as necessidades básicas, mas também o acesso a uma vida digna.

Por um sistema de segurança social que garanta rendimentos aos que, por motivos de idade, doença ou incapacidade, não podem trabalhar.

Pela garantia de acesso universal à educação e à saúde e a uma habitação adequada para cada agregado familiar.

Por políticas redistributivas que contrariem a acumulação excessiva de riqueza no topo da sociedade, taxando os rendimentos elevados e os consumos de luxo, de forma a gerar recursos que permitam melhorar a situação económica dos mais necessitados.

Afinal, parece que nada disto é determinante. Alguém descobriu que a solução do problema da pobreza está… nas escolas!

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) em Portugal, Jardim Moreira, revelou esta sexta-feira que, no prazo de “três semanas”, vai assinar com o Ministério da Educação um protocolo de “combate à pobreza em Portugal, a partir das escolas”. 

O resto da notícia, se nada esclarece em relação ao que realmente se pretende, diz o suficiente para nos deixar apreensivos com mais uma treta que nos há-de cair em cima: “não há dinheiro”, mas em contrapartida teremos “formação” e “parcerias”, para “mudar mentalidades” e criar uma “sociedade renovada”.

Entenda-se de uma vez por todas que a pobreza, mais do que estado de espírito, que também poderá ser, é acima de tudo a privação das condições materiais indispensáveis a uma vida digna. Deixemo-nos de hipocrisias: isto só se resolve, numa economia de mercado, dando às pessoas os meios de obter o dinheiro necessário ao pagamento das suas despesas.

No mundo ocidental, já estivemos mais perto de erradicar a pobreza do que estamos hoje. E regredimos neste combate precisamente porque ele não é um problema de mentalidades: é mesmo o resultado inevitável das políticas neoliberais que promovem  a concentração de riqueza e aumentam a exclusão social.

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