Vacinar não é com a escola

crian%C3%A7a+tomando+vacina[1]A recente polémica acerca das vacinas, discutindo-se se os pais devem ser obrigados a vacinar os filhos ou apenas sensibilizados ou admoestados para o fazerem, acabou onde muitas vezes terminam, indevidamente, estas discussões: transferindo-se para as escolas mais uma responsabilidade que não é sua.

Basicamente no novo sistema as escolas avisam as entidades de saúde sobre as crianças que não estão vacinadas e os profissionais de saúde atuam junto dessas famílias, sensibilizando-as para a vacinação.

Porque as escolas, explicou o ministro da Saúde, passam a ter a acesso, “com autorização dos pais, naturalmente, ao boletim de saúde eletrónico e ficam a saber se está totalmente preenchido”.

Ninguém se lembraria de sugerir que a criança que aparece para ser vista pelo médico no centro de saúde fosse por este advertida de que se esqueceu de devolver um livro da biblioteca escolar. Ou que os pais deixaram por cumprir uma qualquer formalidade burocrática na secretaria da escola. Mas já se acha natural que o professor deva controlar o esquema de vacinação dos seus alunos e detectar a falta de alguma vacina.

A verdade é que é simplesmente ridículo o que agora se propõe: as escolas pedirem autorização aos pais para acederem a uma base de dados do Ministério da Saúde onde constam – ou deveriam constar – as vacinas dadas ao aluno. Ora porque não se responsabilizam os serviços de saúde, que mantêm e actualizam os registos, por detectar e actuar quando o Plano Nacional de Vacinação não está a ser cumprido? Porque é que precisam de ser avisados pelas escolas de algo que consta dos seus próprios ficheiros?

O verdadeiro problema não está aqui, e as escolas aparecem uma vez mais como bombeiro de serviço e cortina de fumo para esconder o que, com uma opinião pública um pouco mais exigente, assumiria foros de escândalo nacional: andamos há muitos anos a gastar dinheiro na informatização do registo das vacinas e ainda não existe um programa fiável para ser usado no Serviço Nacional de Saúde. Nem pelos médicos e enfermeiros de família, quanto mais pelos professores. Mas à conta disso já sucessivos governos deram muito dinheiro a ganhar aos amigos informáticos do costume…

A Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) queixou-se esta terça-feira de falhas em plataformas informáticas que, alega, impedem médicos e enfermeiros de aceder ao histórico de vacinas ou registar a administração de uma nova.

Em comunicado, a associação critica “a enorme lentidão” no acesso à aplicação Vacinas, inserida na Plataforma de Dados de Saúde, e que, ao contrário do que era suposto, “milhares de profissionais” dos centros de saúde continuam sem acesso “ao histórico de vacinação dos utentes, outrora já informatizado”.

De acordo com a mesma nota, a Plataforma de Dados de Saúde “tem bloqueios constantes, não permitindo registar” a vacina no dia em que foi administrada ao utente, “o que aumenta o risco de falha”.

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