Os bancos nossos amigos

banqueiro.jpgO governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, disse esta quinta-feira que o elevado valor de crédito malparado no balanço dos bancos é consequência de estes terem funcionado como amortecedores da crise financeira para as famílias.

O discurso de Carlos Costa vem pejado de termos do jargão economês para nos tentar convencer que a banca portuguesa se desgraçou a tentar ajudar os portugueses mais pobres, emprestando-lhes dinheiro que depois não conseguiu recuperar. Mas as palavras do governador são desmentidas pelos últimos dados do Banco de Portugal: em relação ao crédito total, o incumprimento ascende 15,4%, enquanto o crédito vencido, considerando apenas os empréstimos às famílias, é de apenas  4,7%.

Na verdade, assistimos nos últimos anos a milhares de casos de famílias que, empatando as poupanças de uma vida na compra de uma casa, viram o banco executar a respectiva hipoteca quando deixaram de poder pagar as mensalidades, perdendo a casa e tudo o que tinham pago entretanto ao banco.

Já os sucessivos buracos financeiros sucessivamente descobertos nas contas dos bancos, esses sim, vieram revelar a existência de ruinosos empréstimos a grandes especuladores e vultuosas aplicações de capital em negócios arriscados e sem quaisquer garantias para os bancos. Ou seja, se corresse bem os investidores ressarciam o banco e o lucro era para eles, se corresse mal os bancos encaixavam a “imparidade”. Ou arranjava-se maneira de nacionalizar o prejuízo, como veio a acontecer.

Não foram os pequenos créditos ao consumo ou à compra de habitação que arruinaram a banca, mas sim a ganância dos banqueiros, dos comendadores e de outros trafulhas do regime e os muitos milhões que desbarataram em negócios ruinosos ou puseram a salvo em paraísos fiscais. E é vergonhoso que quem foi cúmplice, nem que seja por omissão, de uma parte destas negociatas – pois era pago, e muito bem pago, para ver o que se passava – queira agora ludibriar-nos com estas historietas dos bancos amigos do povo e protectores das famílias.

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