A verdadeira escola do futuro

criancas-dormindo.jpgEsqueçam as cadeiras com rodinhas, os tablets de última geração, os quadros interactivos, os ecrãs 4K e as restantes maravilhas tecnológicas que nos dizem que irão existir, aos pontapés, na escola do século XXI.

Em S. Paulo, no Brasil, parece estar a ter sucesso um modelo de educação pré-escolar que propõe às famílias obter algo que pode ser considerado mais valioso de que o gadget mais cobiçado: tempo livre. Que ser pai e mãe é responsabilidade que toma muito tempo. E nuns casos por exigências da vida profissional, noutros por simples preguiça ou comodismo, a verdade é que o tempo para estar com os miúdos é, nalgumas famílias, muito reduzido. E eles acabam por passar na escola, com os professores e educadores, muito mais horas do que em casa, com os pais.

Consegue-se imaginar uma escola onde os alunos tomam todas as refeições, libertando os pais da tarefa aborrecida de os alimentar? E que ainda fornece, a pedido, refeições já preparadas para o fim-de-semana? Com serviço de lavandaria, que trate da limpeza da farda do colégio, e de cabeleireiro, que liberte da chatice de levar os filhos a cortar o cabelo? E que tal, cereja no topo do bolo, para o pouco tempo em que têm os filhos em casa, poderem contratar uma professora como babá para tomar conta deles?

O colégio rejeita as acusações de estar a facilitar em demasia a vida aos pais, privando as crianças de experiências importantes que deveriam viver em família: para os responsáveis da escola, todas estas facilidades permitem ganhar aquilo que é essencial: tempo de qualidade das crianças com a família. Boa desculpa.

Uma escola em que os pais podem deixar os filhos das 8 às 20 horas e não se preocupar com os uniformes – que são lavados no próprio colégio – nem com as refeições das crianças, que ainda podem ser compradas congeladas para os fins de semana. Para as famílias economizarem tempo com atividades domésticas, a escola Ponto Omega, na região dos Jardins, zona oeste de São Paulo, passou a oferecer serviços que vão além das preocupações pedagógicas.

A escola, que atende crianças de 4 meses a 6 anos, também oferece aos pais a opção de contratarem professores e assistentes como babás e leva uma vez por mês uma cabeleireira para cortar o cabelo dos alunos no colégio. Maria Gruppi, diretora da escola, diz que os serviços começaram a ser ofertados por reivindicação dos pais, que requeriam “tempo de qualidade” com os filhos.

“Se a gente consegue eliminar algumas preocupações dos pais, eles têm mais tempo livre e disposição para se dedicar à criança”, argumenta Maria. O serviço de lavanderia, por exemplo, é para todas as crianças de até 2 anos. Elas chegam com as roupas comuns de casa e recebem todos os dias o uniforme.

Os alunos que ficam em período integral fazem todas as refeições na escola. Por isso, segundo Maria, os pais precisavam fazer feira, mercado e cozinhar apenas para os fins de semana. “Eles tinham todo esse trabalho para fazer sopinha para só dois dias. Por isso, começamos a vender as refeições congeladas, que já servíamos na escola.”

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2 thoughts on “A verdadeira escola do futuro

  1. À procura de um David – que não necessita de comer ou de dormir, mas que faz companhia.
    Uma criança robot.
    Imperfeito, ainda, porque desenvolve a capacidade de amar e ser amado.

    Gostar

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