Escolas DO insucesso

mlr-socrates.JPGOs tempos mudaram, mas a arrogância e o acinte em relação aos professores continuam a ser, em Maria de Lurdes Rodrigues, sentimentos difíceis de disfarçar.

Vem isto a propósito de um estudo sobre insucesso escolar no 1º ciclo  coordenado pela ex-ministra socratina e sobre o qual já se escreveu por aqui.

Na altura preferi focar-me noutros aspectos e não destaquei a expressão usada por MLR que não passou despercebida na comunicação social: escolas do insucesso. Mas, tal como Luís Braga, não gostei. E agora que ele volta ao assunto, subscrevo a crítica:

Detesto…. abomino essa expressão: escolas DO insucesso.
É uma injustiça para quem trabalha nelas.
Escolas com insucesso, escolas com muito insucesso, etc, ainda se aceita.

Agora escolas do insucesso é colar um carimbo.

[…]

Admito as boas intenções de quem fala mas de boas intenções está o inferno cheio. E seria ingénuo se não percebesse que o objetivo da linguagem é fazer pressão social.

E depois voltamos à questão: o insucesso escolar é um fenómeno isolado do resto da realidade social, isto é, os alunos tem insucesso na escola ou isso é só uma face do seu insucesso social (e das suas famílias)?

Depois de um mandato à frente do ME em que o desprezo e o ostensivo mau relacionamento com os professores se tornaram imagem de marca, MLR mostra ter aprendido muito pouco com a experiência governativa. A ministra que se gabava de ter perdido os professores mas ganho a opinião pública é agora um pouco mais contida nas palavras. Mas vê-se que continua a pensar, erradamente, que se motivam as pessoas para a mudança colando-lhes rótulos acintosos e desmoralizadores.

Muita sociológica doutorice, e é incapaz de perceber o que a ancestral e analfabeta sabedoria popular capta sem dificuldades: não é com vinagre que se apanham moscas…

Quando se perceberá que as mudanças que interessam, em educação, se têm de fazer com os professores, e não contra eles? Que o insucesso que se concentra em determinadas escolas é em grande medida o insucesso das famílias e das políticas económicas e sociais incapazes de proporcionar, aos alunos, as condições para o sucesso?

A quem decide estas coisas nos gabinetes ministeriais e a quem, repimpado nos observatórios universitários e nas fundações do regime, se arroga o direito de influir nas “políticas públicas”, temos todo o direito de exigir, como o faz Luís Braga, mais vergonha, mais decência e mais respeito por quem trabalha em condições tão difíceis.

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2 thoughts on “Escolas DO insucesso

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