Lutar ou engonhar?

vigilia_fne_site.pngO calendário começa a ficar curto para mais adiamentos, e o ME parece continuar fiel à estratégia de adiar a resolução das principais reivindicações dos professores, procurando ultrapassar a fase crítica das avaliações e exames sem grandes protestos dos professores.

Depois de ter há dias feito saber à Fenprof que o ministro estava indisponível para reuniões em Maio, propôs agora uma reunião, em Junho, aos dirigentes da FNE.

A FNE acaba de receber um ofício do ME a marcar uma reunião para 6 de junho às 16h30. Na agenda deste encontro, estão os temas que a Federação quer analisar com a tutela. A FNE está satisfeita com o encontro, mas lamenta “o excessivo prazo com que a reunião é marcada”. Mais duas semanas de espera. A 1 de junho, o secretariado da FNE reúne-se para definir os passos no sentido de se estabelecer um “quadro negocial de respostas efetivas para que os docentes e os não docentes possam encarar o seu futuro e já o próximo ano letivo numa perspetiva de maior segurança”. E promete insistir na necessidade de se definir compromissos claros sobre processos que permitam mudanças “em matéria de reconhecimento e valorização dos profissionais da educação, sejam docentes ou não docentes”.

Sendo a agenda desta reunião uma incógnita, a greve às avaliações e exames não pode deixar de continuar a ser equacionada. Para já nenhuma das federações de professores descarta a ideia que, para avançar, precisa de algo ainda mais importante que o apoio de todos os sindicatos: a mobilização dos professores para a sua realização ser bem sucedida.

Avançar ou não com uma paralisação nacional nas escolas depende do que o ministro disser e fizer. Para já, a reunião está agendada. “Está nas mãos do Ministério da Educação. O senhor ministro da Educação é que sabe se quer ter uma greve ou não. Se não quer ter uma greve tem que dar respostas concretas em relação ao futuro profissional destes profissionais”, disse Dias da Silva aos jornalistas na passada segunda-feira. Se a greve avançar deverá coincidir com o período de avaliações e exames nacionais, situação semelhante ao que aconteceu em 2013 quando FNE e FENPROF marcaram uma greve que levou ao prolongamento da primeira fase dos exames nacionais e ao reagendamento de provas.

“Veremos com os professores, mas é evidente que se olharmos para o calendário que temos pela frente poucos dias ficarão livres que não sejam coincidentes com avaliações ou com exames”, comentou o dirigente da FNE. As reivindicações da FNE foram recentemente expostas num ofício enviado ao ME a 5 de maio.

Anúncios

7 thoughts on “Lutar ou engonhar?

  1. Tiago Brandão, onde estás e o que andas a fazer, para teres uma agenda assim tão preenchida?
    Os secretários de estado, sabemos, andam em encontros com escolas piloto e a passar a nova mensagem do “novo” paradigma, teletransportando-se para o futuro, com profunda ignorância do passado e presente, em linguagem menos AI, lançando o esférico da sua baliza directamente para a baliza do adversário, na mira de obtenção de golo.
    Pegando nas metáforas, esquecem-se que ainda não há teletransporte e que é preciso jogar em equipa para golear.
    Simplificando, esquecem-se de introduzir no “novo” paradigma um conjunto profissional imprescindível – os professores. Erro crasso!

    Pensam que, passando-lhes por cima, a questão está resolvida com mais ou menos formação apressada, estatísticas diversas e uma política de normativos a publicar. Erro crasso!

    Ficamos, congelados, com uma brutal quebra de rendimento, com uma brutal burocracia, com um brutal aumento de cargas lectivas e não lectivas, com um brutal envelhecimento, com uma brutal exaustão generalizada e com uma esperança sempre adiada de uma aposentaçãlo justa e digna, ficamos, escrevia mais acima, sentados à espera de se dar o milagre de se fazerem omeletes sem ovos. Ninguém é cooptado para novos paradigmas sentindo-se desmotivado e desconfiado. Isso sabemos de experiência nas interacções com os nossos alunos. É básico!

    O documento de organização do ano lectivo está aí a chegar, e muito do que de lá sair é importante. Como sempre, sairá em período próximo de Agosto.

    Nota final- O PS, no parlamento, sempre votou contra propostas que se prendem com melhorias profissionais dos professores. Basta estar-se atento.

    Nota final 2- um link do blog professores lusos sobre a carreira real e virtual. Amazing! (como diz o presidente cor-de-laranja)

    https://profslusos.blogspot.pt/

    Gostar

      • Ter-se-à o WordPress assustado com a referência a AI (artificial intelligence). Ou com a menção ao presidente cor-de laranja?

        Calhando, associou um termo ao outro e viu que não batia certo. Ou que batia……:

        🙂

        Gostar

  2. Já tinha escrito algo que desapareceu.

    Basicamente, referia-me ao facto de não se fazerem “omeletes sem ovos”. Ou seja, o ME, Tiago Brandão, anda por parte incerta e os seus secretários de estado andam a promover, em formações, o paradigma do séc XXI, através de pilotagens.

    Ora, pretender-se este “novo” paradigma com professores desconfiados e fatigados que não vêem a sua situação profissional tida em conta, é erro crasso!

    O DOAL está por aí e espera-se mais do mesmo, tal como o já conhecido calendário escolar.

    Já chega de engonhar!

    Gostar

  3. Não há novo paradigma que se aguente sem um refrescamento etário das salas de professores.

    Facilitar a passagem à reforma, sem grandes penalizações, aos mais velhos que querem sair.
    Redução parcial ou total da componente lectiva, opcional a partir de certa idade, que permitisse aos professores permanecer nas escolas em funções de coordenação, assessoria ou apoio, numa espécie de pré-reforma.
    Vinculação dos actuais contratados, que são na sua maior parte professores com 10 ou mais anos de serviço e já deveriam estar nos quadros há muito tempo.
    E finalmente, objectivo geralmente esquecido, pois não mexe directamente com os que estão actualmente no sistema, entrada efectiva de jovens professores nas escolas, para que aos poucos se comece a reequilibrar a estrutura etária da profissão, actualmente demasiado envelhecida.

    Sem fazerem estas coisas, escusam de pensar em mais do que mudanças cosméticas do sistema educativo.

    Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s