Natalidade, uma pescadinha de rabo na boca

familia-numerosa2.gifA natalidade em Portugal é baixa porque a natalidade em Portugal é baixa. Explico. Se a natalidade fosse alta e as famílias tivessem mais de um filho e meio, tudo estaria estruturado de forma a que fosse mais fácil ter muitos filhos. Não sendo, é difícil. Pior: não é um problema. Não é preciso estruturar a sociedade porque não há famílias que o exijam, não é uma necessidade real.

Embora esteja longe de esgotar a questão, complexa, da queda da natalidade, o ponto de vista de Inês Teotónio Pereira é pertinente: havendo muito poucas famílias numerosas em Portugal, a criação de condições para encorajar e facilitar a vida aos corajosos que decidem ter muitos filhos não é uma prioridade política. Não rende votos. Mas quando a esmagadora maioria da população se conforma com não ter filhos ou ficar pelo filho único, também não há pressão sobre os políticos para que favoreçam as famílias maiores que, no fundo, quase ninguém quer ter.

Não só não se investe numa política séria e consequente de apoio às famílias como se tem encarado o declínio demográfico, não como uma oportunidade de dar mais e melhores condições às crianças que ainda vamos tendo, mas como pretexto para poupar ainda mais nas políticas sociais, fechando maternidades e escolas, reduzindo turmas, cortando abonos de família e outros apoios directos às famílias.

Não penso, como parece sugerir a cronista, que o problema da natalidade se resolva com meia dúzia de medidas avulsas e demagógicas. Pelo contrário, trata-se de uma realidade complexa, a que nenhum país europeu está imune, mas para o qual só alguns souberam dar algumas respostas satisfatórias e que passam, quase todas, por um forte reforço das políticas integradas de apoio às famílias.

O nada fazer é que não me parece ser resposta. Os estudos estão feitos, e se continuarmos como estamos, com poucas crianças a nascer e torcendo o nariz à entrada de imigrantes, a população portuguesa passará dos actuais 10,4 milhões para 7,8 milhões de habitantes em 2060. Sendo mais de um terço destes idosos ou inactivos, a pirâmide demográfica estará de tal forma invertida que esta evolução, se não for revertida, irá gerar profundas convulsões económicas e sociais difíceis de antever na totalidade.

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One thought on “Natalidade, uma pescadinha de rabo na boca

  1. Como é possível aumentar a natalidade se os governos deste país não protegem as famílias. Limitam-se a produzir leis avulsas para caçar votos. Com papas e bolos se calam os tolos

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