Remédios para a hiperactividade

candy-kids[1]O PAN quer que o governo avance com medidas para assegurar que as crianças com idade inferior a seis anos não são medicadas com metilfenidato (substância que tem o nome comercial de ritalina), um estimulante do sistema nervoso central para tratar a hiperatividade com défice de atenção (PHDA). A proposta consta de um projeto de resolução que o partido se prepara para entregar no Parlamento, e integra um conjunto de três iniciativas sobre a mesma matéria que o PAN quer levar a votos nesta sessão legislativa.

[…] O parlamentar sublinha que o objetivo não passa por “impedir a prescrição destes medicamentos [metilfenidato e atomoxetina] “. “Mas queremos assegurar que a medicamentação seja administrada às crianças que realmente dela necessitam, garantindo também diagnósticos mais rigorosos e a implementação de um programa integrado de tratamento que tem que incluir a intervenção psicológica”, acrescenta André Silva. “Estamos a falar de crianças e jovens que poderão estar a ser sobre medicamentados ou a ser diagnosticados de forma eventualmente pouco rigorosa e em idade muito precoce, com impactos na saúde física e mental que ainda desconhecemos”, resume o deputado.

A iniciativa do PAN aponta no sentido certo: a introdução precoce e excessiva de medicamentos do tratamento de doenças e perturbações mentais que necessitariam antes de outro tipo de terapias deve ser evitada, restringindo-se às situações em que é mesmo necessária, e sendo sempre complementada com outro tipo de intervenção.

Mas se é fácil concordarmos neste ponto, importa também perceber porque se medica tanto, e cada vez mais, crianças diagnosticadas com problemas de hiperactividade e défice de atenção. A verdade é que a ritalina e drogas semelhantes têm efeitos imediatos, comprovados ao longo de décadas, na diminuição a agitação motora e no aumento da concentração dos miúdos. Dão assim resposta aos pais ansiosos mas com pouca disponibilidade para terapias mais prolongadas, satisfazem os professores que vêem os alunos mais calmos e atentos nas aulas e agradam também aos pedopsiquiatras que resolvem assim, de forma expedita, os problemas que lhes entram pelo consultório, passando mais depressa ao paciente seguinte.

Dito isto, sobra ainda a questão económica, que talvez seja o factor que mais condiciona a substituição dos medicamentos por psicoterapia: é que os medicamentos ainda vão sendo comparticipados, enquanto as consultas de psicologia continuam a ser raras no serviço nacional de saúde e caras na medicina privada. Quanto às escolas, nem sei se vale a pena falar: existem pouquíssimos psicólogos, que se desdobram pelas diversas escolas dos agrupamentos e se dividem entre apoios e avaliações psicológicas, orientação escolar e educação especial. O pouco tempo que sobra para acompanhamento individual de alunos só permite abranger uma pequena parte dos que dele necessitariam, e nem sempre com a regularidade necessária.

Esperemos que os deputados que vierem a subscrever a proposta do PAN tenham também em conta, não apenas o que em teoria é melhor para as crianças, mas também as condições práticas para que possam usufruir dos tratamentos de que precisam e da saúde mental a que têm direito. Falámos de psicoterapia, mas poderíamos acrescentar famílias mais presentes, horários laborais mais ajustados às necessidades familiares, maior acesso a actividades físicas e desportivas e a espaços públicos de lazer, entre outras coisas que sabemos que contribuem para melhorar efectivamente a qualidade de vida e o equilíbrio físico e mental de crianças, jovens e adultos.

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