Concursos de Verão

concurso-praia.JPGpor aqui tinha escrito acerca das recorrentes trapalhadas e atrasos dos concursos de professores. Mas quando li o inspirado e assertivo post do Alexandre Henriques sobre o assunto, percebi que o tom relativamente cordato com que abordei o assunto não é o mais apropriado para exprimir a indignação dos professores:

Estou farto! Quero ir de férias descansado! Quero ir de férias sem pensar se vou ter acesso à Internet, sem pensar se vou ter largura de banda suficiente, sem gastar dinheiro em Internet móvel! Sem roubar mais tempo à família para candidatura aqui, preferência ali, colocação acolá.

Quero desligar!  Quero ter o direito a desligar! Basta de escola! Estou de férias, porra! Mereço estar de férias!

É verdade! Não há motivo para que a odisseia das colocações anuais se prolongue durante todo o mês de Agosto e por vezes ainda se estenda aos primeiros dias de Setembro.

Não há razão alguma, com tanto estudo prospectivo, tanto mapa de rede, tanta plataforma informática, uma direcção-geral inteirinha só para fazer estudos e estatísticas, outra para os assuntos administrativos e outra ainda para controlar, com as suas delegações regionais, o que fazem as escolas e agrupamentos, não há razão, dizia, para que o monstro dos concursos continue a ser, pelas piores razões, figura de destaque da educação portuguesa.

Na maioria dos países as escolas encerram em Agosto, e fecham mesmo. Não fica ninguém lá dentro a desfazer e refazer turmas segundo as últimas orientações do ministério, a atender telefonemas, a responder a ofícios e a requisitar os professores necessários. Esses trabalhos são feitos antes de todos irem gozar as merecidas férias, e assim mesmo é que deve ser.

Ainda se poderia esperar que, com tanto tempo requerido para fazer as coisas, se aprimorassem nos resultados. Mas nem isso. Pois todos os anos há escolas que recebem mais professores do que necessitam ou que começam as aulas com docentes por colocar. E não, a culpa não é, em regra, das direcções escolares, que têm a inspecção à perna e estão sujeitas a processos disciplinares se fizerem asneiras. Pertence aos serviços centrais do ministério, a quem todas as asneiras parecem ser permitidas e onde ninguém assume a responsabilidade dos erros cometidos. Mesmo que tenham todo o tempo do mundo para fazer bem feito.

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