Concurso de professores, um eterno problema

roletaA saída tardia dos resultados continua a ser um problema recorrente dos concursos de professores.

Durante muitos anos, acusaram-se os professores de desestabilizarem as escolas com a sua “mania” de quererem concorrer todos os anos, nem que fosse para a escola “do outro lado da rua”, como chegou a dizer uma ex-ministra de má memória.

Hoje os professores dos quadros só concorrem de quatro em quatro anos, mas nem por isso os concursos se tornaram mais céleres, justos ou eficazes.

“A profissão de professor, particularmente dos que não pertencem aos quadros de escola, é uma profissão itinerante. E mesmo os quadros de zona [pedagógica, que podem ser colocados em diferentes agrupamentos de uma mesma área], muitas vezes não sabem onde vão estar no ano seguinte”, complementa. “Isto reflete-se na vida das pessoas e, naturalmente, também tem reflexos na vida das escolas.”

Para Manuel António Pereira, a solução para este problema implicaria repensar todo o sistema: “Não faz sentido o atual modelo de concursos, que só tem resultados em período de férias das pessoas. Faria sentido que tivesse resultados ainda durante o ano letivo, para que as pessoas soubessem o que as espera”, defende, acrescentando que a atual realidade gera “angústia” nos professores mas também na escola, “que nunca sabe quem vai ter” a preencher os horários disponíveis no ano letivo seguinte.

Tendo em conta que no início de Maio já costuma estar definida provisoriamente a rede escolar para o ano lectivo seguinte e que em finais de Junho as escolas têm as suas turmas constituídas e sabem com rigor as suas necessidades de pessoal docente, seria perfeitamente possível fazer-se a requisição de professores e as colocações durante o mês de Julho, deixando para  finais de Agosto e Setembro apenas as substituições.

Não é aceitável que por incompetência e desorganização dos serviços ministeriais dezenas de milhares de professores passem todos os anos as férias em desassossego, sem saberem se em Setembro terão colocação ou emprego e, em caso afirmativo, onde terão de se apresentar.

A instabilidade no sistema de colocações dos professores já foi em tempos o resultado inevitável de um sistema que tinha de gerir, com meios informáticos incipientes, um volume muito maior de professores e de vagas disponíveis, prazos e fases de concurso muito mais dilatados do que temos hoje e problemas de sobrelotação que dificultavam a gestão do parque escolar.

Quanto todos esses problemas estruturais do sistema se encontram resolvidos ou minimizados, o concurso e a colocação de professores deveriam ser um processo rotineiro, feito sem atrasos nem complicações. Que não perturbasse a preparação do ano escolar nem gerasse desnecessário stress entre os professores.

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4 thoughts on “Concurso de professores, um eterno problema

  1. Isso dos professores do quadro só concorrerem de 4 em 4 anos não é bem assim. Quem quiser concorre a mobilade interna todos os anos.

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    • Em teoria, sim.

      Na prática, tendo em conta o número residual de vagas e o facto de os professores sem horário terem prioridade, pouquíssimos professores, pelo menos aqui para os meus lados, são colocados.

      Aliás, tanto assim é que nos últimos anos subiu em flecha o número daqueles que, podendo requerê-la, optaram antes pela colocação ao abrigo da mobilidade por doença, acabando por gerar um desperdício de recursos humanos muito maior do que haveria um regime de concursos mais ajustado à realidade e às justas expectativas de aproximação à residência de professores com dezenas de anos de serviço.

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  2. “Não é aceitável que por incompetência e desorganização dos serviços:::”
    Mas é o que temos. Falta-lhes a articulação horizontal, vertical, oblíqua com que enchem a boca a exigir, a cobrar e a criticar aos da base… tomaram eles ter metade da capacidade e efectividade de articulação que se faz ao nível das escolas – é que não há paciência…
    Para estes senhores a tecnologia nunca se traduz em capacidade de simplificação e de eficiência… afinal muitos serviços centrais precisam alimentar-se e continuar a justificar a sua existência…

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