Queima das Fitas ou banho de cerveja?

04-CORTEJO-QUEIMA-CJM-78.jpgCumprindo o calendário, lá se realizou, ontem, aquela que passa por ser a maior das festas académicas portuguesas, a Queima das Fitas de Coimbra.

Mas se por um lado a tradição há muito deixou de ser o que era, a verdade é que a festa dos estudantes tem evoluído em direcção à vulgaridade, infantilidade e falta de imaginação. Desde a restauração, nos anos 80, de praxes e tradições descartadas com as lutas académicas na fase final do antigo regime, o nível da festa coimbrã tem vindo quase sempre a descer.

A sátira política e social, que era norma nos carros dos estudantes, passou quase despercebida no cortejo deste domingo da Queima de Coimbra, marcado pelos já habituais banhos de cerveja e cânticos de cursos.

Passado o tempo da contestação social e política que ainda marcava os cortejos académicos no meu tempo de estudante, veio a época das épicas bebedeiras que chegavam a levar centenas de estudantes às urgências hospitalares. Mas dos foliões actuais dir-se-á que nem para isso prestam. Pois que, em vez de beberem a cerveja, a entornam por cima uns dos outros, e a isso se resume a diversão de muitos dos participantes na Queima.

Paulo Esteves, antigo estudante de Engenharia Informática, reconheceu que os tempos são outros e, como tal, há que aceitar esta mudança . “No meu tempo, enfiávamos mais a cerveja dentro do corpo”, referiu.

Mas nem tudo é mau nos novos hábitos estudantis: se os trajes e as ruas ficam imundos com a cerveja derramada, em contrapartida há menos ocorrências graves nas urgências.

Com o tempo quente, o piso depressa se tornou escorregadio no cortejo deste ano, com estudantes a correrem atrás uns dos outros à procura de molhar os seus colegas.

O novo hábito veio também alterar o tipo de ocorrências que a Cruz Vermelha tem de atender.

“O chão fica todo molhado e há entorses, cortes ou alguns traumas”, conta Vítor Figueiredo, a dar apoio no cortejo há 27 anos, relatando que, se antes não havia tantas quedas por causa do piso escorregadio, havia muito vidro e os pneus das ambulâncias ficavam furados numa festa que se fazia essencialmente à base de espumante.

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