Drogas boas e drogas más?

drogas.jpgO Bloco de Esquerda entregou na Assembleia da República um projecto de resolução que tem como objectivo travar o “consumo excessivo” de medicamentos como a Ritalina, receitados normalmente para problemas como a hiperactividade e défice de atenção nas crianças e jovens. […]

Por isso, o BE propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo três coisas distintas: um reforço dos psicólogos e dos técnicos especializados nas escolas, para que os problemas sejam identificados e acompanhados de forma célere; a realização de estudos regulares, para conhecer a prevalência destas doenças nos estudantes em Portugal e o respectivo tratamento; e que se divulguem junto das escolas e famílias as consequências do consumo de medicamentos que estimulam o sistema nervoso central, como a Ritalina.

Menos drogas e mais psicoterapia, apoios educativos e, até, capacitação parental, na prevenção e tratamento dos distúrbios de hiperactividade e défice de atenção: parece-me uma reivindicação sensata e em linha com as evidências demonstradas cientificamente e com as melhores práticas seguidas nesta área a nível mundial.

Mas são necessárias cautelas quando o partido que defende que se restrinja o uso de drogas para tratar distúrbios mentais em crianças e jovens é o mesmo que quer enquadrar legalmente o uso das chamadas drogas leves:

Bloco de Esquerda vai voltar a propor a legalização do uso da canábis em duas vertentes, a terapêutica e a recreativa, ainda este ano.

Os usos terapêuticos são uma questão médica e de elementar bom senso, desde que a eficácia do tratamento esteja devidamente comprovada e não seja como algumas daquelas tretas homeopatas pelas quais o Bloco também já tem demonstrado simpatia.

Já o uso recreativo levanta uma questão mais complexa: será o uso de drogas num contexto de diversão mais aceitável do que para favorecer a concentração nas actividades escolares?

Quase como se disséssemos, correndo o risco de introduzir aqui uma pontinha de demagogia, que para sair com os amigos e fumar uma erva ’tá-se bem, mas, na escola, os professores que os aturem?

Não sei, em termos de malefícios para a saúde, o que faz pior: se o metilfenidato, que encontramos na Ritalina e medicamentos semelhantes vendidos com receita médica, ou o THC, princípio activo da canábis que parece não ser tão “leve” e inocente como por vezes se apresenta.

Reconheço, por outro lado, que legalizar não significa necessariamente promover o consumo, mas pode ser uma forma de limitar as margens de lucro e controlar a qualidade do produto.

Contudo, continuo a pensar que será mais saudável uma sociedade que se consiga livrar, o mais possível, de todo o tipo de tóxicas dependências.

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