Convergências

convergencia.JPGRegisto a coincidência de pontos de vista de Paulo Guinote e Santana Castilho em relação às provas de aferição.

Não sei se é apenas o facto de ambos comentarem declarações recentes do secretário de Estado João Costa que justifica este notório paralelismo de ideias, ou se existe aqui uma colagem que ao Paulo parece incomodar.

Acrescente-se, em abono da verdade, que o texto de Paulo Guinote foi publicado primeiro.

[…] se um governante na área da Educação pretende obter uma “fotografia” do funcionamento das escolas, claro que as pode visitar e falar com amigos, vizinhos, primos distantes. Mas tem um recurso que faz parte do próprio ME e que se chama avaliação externa das escolas e é feita todos os anos pela IGEC. […]

E ainda há a imensidão de dados disponíveis na plataforma MISI@ para a qual são exportadas todas as informações sobre a caracterização e funcionamento das escolas.

Tudo materiais recolhidos e sistematizados (ou sistematizáveis) que irão algo além de “impressões” trocadas a beberricar uns cafézitos enquanto se congeminam reformas educacionais maravilhosas com um punhado de amizades mais antigas ou mais ocasionais e instrumentais. E materiais que não implicariam quase paralisar as escolas do 1º ciclo durante uma semana e mobilizar dezenas de professores para a sua realização, incluindo vastos secretariados para recolher e processar os dados das provas. Mas, parece que só “a partir de agora vamos ter dados sistemáticos sobre o que existe”.

Paulo Guinote

O secretário de Estado da Educação sugeriu que as provas foram decididas por “impressões” colhidas em conversas com professores e em visitas que realizou e disse que servem para “tirar uma fotografia ao sistema” e para perceber “se um aluno teve ou não condições para realizar as tarefas”. Sucede que a Lei 31/2002 aprovou um sistema de avaliação, contínuo, estável e sistemático, compreendendo a autoavaliação e a avaliação externa das escolas que, entre outros objectivos, tem o de produzir “uma informação qualificada de apoio à tomada de decisão”. Acontece que o Despacho nº 13342/2016 reforçou as disposições daquela lei e estabeleceu, por remissão, que a avaliação em análise devia “contribuir para a regulação da educação, dotando os responsáveis pelas políticas educativas e pela administração das escolas de informação pertinente”. Ocorre que o ministério tem um sofisticado sistema de informação (MISI) que visa “facultar aos organismos centrais a informação necessária para a prossecução das suas atribuições”. Tudo visto, verifica-se que estão disponíveis milhares de páginas produzidas pelas escolas e pela IGEC, que dizem o que o secretário de Estado vai concluir.
O secretário de Estado da Educação garantiu que “a partir de agora vamos ter dados sistemáticos sobre o que existe”.

Santana Castilho

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One thought on “Convergências

  1. Muito ao lado, ou talvez nem tanto assim…

    Muito interessante este vídeo que apanhei ao fazer zapping ontem. No fundo, o capital versus trabalho, as profissões do futuro/passado, a situação social de S Francisco nos USA e a pergunta que vem do tempo de Marx e Engels e que os CEOs das grandes companhias de tecnologia e afins colocam: como superar o balanço entre a oferta e da procura num futuro a curto prazo.

    Um pequeno apontamento final:

    http://www.tvi24.iol.pt/videos/economia/profissoes-de-alto-conteudo-de-saber-estao-em-perigo-de-automatizacao/590a501e0cf2004cbd402175#cxrecs_s

    Gostar

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